A 'World Cup Experts Network' reúne órgãos de comunicação social de vários pontos do planeta para lhe apresentar a melhor informação sobre as 32 seleções que vão disputar o Campeonato do Mundo. O Maisfutebol representa Portugal nesta iniciativa do prestigiado jornal Guardian. Leia os perfis completos das seleções que participarão no torneio:

Autor dos textos: Fernando Duarte
Parceiro oficial no Brasil: portal UOL
Revisão: Vítor Hugo Alvarenga




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Que jogador pode surpreender no Campeonato do Mundo?


E que jogador pode desiludir as pessoas no torneio?


Qual é a expetativa real para a seleção no Mundial?


      
Curiosidades e segredos da seleção

David Luiz
Um verdadeiro tubarão nas mesas de ‘snooker’. Os companheiros da Seleção estão a par do desempenho de David Luiz na enorme mesa que tem no seu apartamento em Putney. Ao que se sabe, Sandro é uma das vítimas favoritas do defesa do Chelsea. «E ele não deixa que alguém se esqueça quando ele ganha, o gozo é quase cruel», diz o médio do Tottenham.

Neymar
Alguns dirão que o Brasil por estes dias joga com maior regularidade e contra equipas menos robustas que há umas décadas, mas é inegável que a média de golos de Neymar impressiona. Em março, conseguiu o seu primeiro hat-trick frente a uma frágil África do Sul. Assim, chegou aos 30 golos em 47 jogos pelo Brasil, mais rapidamente que Messi pela Argentina e Ronaldo por Portugal (74 e 86).

Maxwell
Luiz Felipe Scolari aprecia o estilo conservador de Maxwell, em contraste com desenfreado Marcelo. O lateral do Paris Saint-Germain é mais conhecido no Brasil pela sua coleção de medalhas de vários países. Com 32 anos, Maxwell já venceu títulos no Ajax, no Inter de Milão, no Barcelona e no Paris Saint-Germain. Curiosamente, jogou nos quatro clubes com o seu amigo Zlatan Ibrahimovic.

Hulk
Neymar é o responsável pelo delírio das adolescentes quando a Seleção joga no Brasil, mas as mulheres brasileiras até parecem gostar mais do corpo de Hulk. O jogador do Zenit é tão tímido que captar a sua voz é um tremendo desafio. De qualquer forma, demonstrou capacidade de encaixe perante todas as brincadeiras que foram surgindo em seu redor.

Perfil de uma figura da seleção: Thiago Silva 

Thiago Silva não se andava a sentir bem quando o FC Porto perdeu a paciência em Agosto de 2005. O jogador tinha sido contratado pelo clube português um ano antes, logo após a saída de Mourinho para o Chelsea, numa tentativa de reconstruir o plantel que tinha sido dizimado por rivais europeus após o triunfo na Liga dos Campeões. Mas após meras aparições na equipa B, Thiago Silva foi enviado para o Dínamo de Moscovo.

O defesa tinha 20 anos e não parecia capaz de acompanhar o ritmo dos outros jogadores. Thiago queixava-se de sintomas parecidos com gripe e tinha uma tosse irritante. Os médicos do FC Porto não descobriram a origem do problema, mas na Rússia chegaram à conclusão que os pulmões do jogador estavam perto do colapso devido a tuberculose.

Não obstante os progressos no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose continua a ser uma das doenças mais mortais do mundo. 1,3 milhões de pessoas perderam a vida dessa forma em 2012. Geralmente, as contaminações e mortes ocorrem em países em vias de desenvolvimento, no seio de famílias com baixos rendimentos – o berço habitual da maioria dos jogadores não-europeus. Na Europa Ocidental isso está praticamente erradicado, mas não na Rússia. Assim se explica que os médicos do Dínamo de Moscovo tenham detetado a origem da limitação de Thiago Silva. Era mais que isso: era algo que o estava a matar lentamente.

«Os médicos disseram-me que teria de parar 12 semanas porque os pulmões estavam comprometidos», explicou o jogador. Thiago Silva ficou num quarto de um hospital para evitar o contágio da doença. Não foram apenas 12, mas sim 24 semanas e o defesa ficou sem jogar durante um ano.

Pela segunda vez, parecia que a sua carreira estava a fugir entre os dedos. A primeira foi aos 13 anos, quando o Flamengo lhe fechou a porta após um curto período das camadas jovens. Com o coração partido, Thiago chegou a casa e disse à mãe que queria desistir. «Tive de lhe lembrar que não há muitos bons empregos para um jovem que vinha de um meio como o nosso. Acho que isso fez com que ele mudasse de opinião», recorda Angela, a progenitora.

Angela estava junto a Thiago quando esteve regressou ao ativo em 2006, usando os seus contactos no Fluminense, onde tinha jogando durante alguns meses na adolescência. Um ano depois, o defesa venceu a Taça do Brasil e foi o xerife de um setor que permitiu apenas 39 golos em 38 jogos do campeonato.

Em 2008, Thago Silva sofreu o desgosto de perder a Copa Libertadores em casa para os equatorianos da LDU. Ainda assim, o ano terminou da melhor forma: o defesa anulou Cristiano Ronaldo num demolidor 6-2 frente a Portugal e foi contratado pelo AC Milan.

«Foi incrível: depois de tudo o que passei, tinha a oportunidade de jogar num dos maiores clubes do mundo e evoluir na Serie A, famosa pelos processos defensivos.»

Thiago esteve em Itália por perto de quatro anos, disputando 93 partidas e marcando 5 golos, incluindo um de cabeça frente ao Barcelona na Liga dos Campeões. A sua estreia pela Seleção surgiu nos Jogos Olímpicos de Pequim, onde as esperanças de uma medalha de ouro foram destruídas por um 0-3 frente à Argentina nas meias-finais. No Mundial de 2010, ficou no banco de suplentes, mas foi promovido à titularidade logo após o torneio. Dois anos mais tarde, assumiu a braçadeira, à frente de veteranos como Daniel Alves e mesmo Ronaldinho.

Na Taça das Confederações de 2013, Thiago Silva chegou a jogar com dores mas levantou o troféu na final frente à Espanha. Algo que ele espera fazer novamente, dentro de algumas semanas. Nessa altura, o defesa já era um dos mais caros do Mundo, graças a um forte investimento do Paris Saint-Germain. Thiago também garantiu a braçadeira na equipa francesa.

«Tenho uma responsabilidade imensa no clube e na Seleção mas isso não me assusta. É um privilégio jogar futebol e muitas pessoas nunca tiveram esta possibilidade. Eu sei o que é achar que a carreira acabou, portanto respeito a segunda oportunidade que a vida me deu.»

A vida não tem sido um mar de rosas, mesmo nos últimos anos: as lesões têm preocupado o jogador nas últimas duas épocas e o Paris Saint-Germain falhou o acesso às meias-finais da Liga dos Campeões de uma forma dramática. Mas Thiago Silva aprendeu a colocar tudo em perspetiva.