O holandês veio com uma missão única de tornar os jogadores do F.C. Porto mais eficazes. Melhorar a qualidade de passe deles, a qualidade de remate, a velocidade, a desmarcção, todas as capacidades técnicas. Nesta primeira conversa com os jornalistas explicou como o pretende fazer. «Não tenho segredos», garantiu. «Tenho 25 anos de experiência com o método Coerver, trabalhei com o próprio Wiel Coerver e posso dizer que é o método mais agradável que experimentei em toda a minha vida. Dentro de campo o importante é fazer o relvado mais pequeno sem ser demasiado pequeno».

«Antero Henriques quer que em cinco anos todos os escalões do F.C. Porto trabalhem pela minha filosofia

Para isso, acrescenta, «os jogadores têm de saber jogar em espaços reduzidos como se tivessem todo o espaço do mundo». E também para isso, acrescenta ainda, «é necessário terem uma excelente técnica individual». «Parte daí o sucesso do meu trabalho». Um trabalho que Chris Kronshorst planeia atingir o sucesso muito em breve. «Dentro de um ou dois meses já vai ser possível ver os resultados do meu trabalho». Há porém uma meta mais distante. Chris Kronshorst assinou por dois anos, mas as sementes do trabalho que vai efectuar são para durar muito mais do que isso. «O Antero Henriques pediu-me para trabalhar com as camadas jovens, para acompanhar alguns treinos e para orientar os treinadores que trabalham os miúdos. Ele disse-me querer que dentro de cinco anos todas as equipas jovens do F.C. Porto trabalhem pela minha filosofia».

«Jogadores ficaram muito contentes por trabalhar comigo e por poderem tornar-se melhores»

O holandês vestiu sexta-feira pela primeira vez o fato de treino azul e branco e iniciou desde logo o trabalho com o plantel. «Da parte da manhã estive numa posição mais observadora», contou. «Falei com os jogadores, olhei para eles, para a forma como jogam, como correm, como trabalham, tentei perceber coisas. Da parte da tarde já os treinei um bocadinho». O sentimento inicial que sobra não podia ser melhor. «Foi muito bom, são excelentes jogadores e todos juntos é que fazemos a mística do clube». A curiosidade que faltava satisfazer prendia-se com a recepção. Como teriam jogadores de topo recebido uma pessoa contratada para os corrigir nos aspectos técnicos? «Acho que me receberam bem. Disseram que ficavam contentes por trabalhar como uma pessoa como eu. Eles estão sempre abertos a receber treinadores que vêm para os tornar melhores».