Hoje são ambos professores e desde muito cedo mergulharam o filho nas boas práticas do desporto. «Aprendeu a caminhar, a andar de bicicleta e a patinar mais cedo do que os miúdos da idade dele. Sempre fez ginástica e por isso desenvolveu um corpo mais forte do que o normal para a idade», conta o pai.

Apesar da paixão dos pais pelas modalidades amadoras, Tomás Podstawski sempre preferiu o futebol. «É normal», adianta. «O meu filho nasceu no Porto e cresceu em Portugal, onde a influência do fenómeno futebolístico é inegável. É a modalidade com mais impacto no país. E ele é português.»

Aluno de 17 e 18 valores

Nascido no seio de uma família instruída, Podstawski destaca-se em mais do que um campo: para além do futebol, é um craque também na escola. Os pais procuraram passar ao filho os valores de uma educação académica forte. Tomás tornou-se um aluno de prémios de mérito.

Luís Miguel, por exemplo, conheceu Tomás Podstawski nas camadas jovens do F.C. Porto. Por estes dias o antigo treinador do P. Ferreira está no estrangeiro, mas atende o Maisfutebol para traçar um perfil elogioso do jovem médio. «É um miúdo que procura a excelência no futebol e na escola.»

«É um excelente jogador de futebol e um excelente aluno, que sempre deu muita importância à formação académica». O pai Wlodzimierz Podstawski corrobora com números. «Sempre foi aluno de cincos. Desde que chegou ao Secundário, o nível dele tem andado entre 17 e 18 valores», conta.

Dentro de campo evidencia maturidade. «Destaca-se pela tomada de decisão. É um médio posicional, primeiro organizador, um líder que compreende os momentos do jogo e assume as decisões. É um homem, apesar da idade, que jogou muitas vezes no escalão acima da idade», diz Luís Miguel.

Tomás Podstawski chamado para Manchester

A chamada à formação principal, numa viagem complicada a Manchester, é um prémio. Mas é também uma aposta no futuro. «É o capitão dos sub-17, um talento enorme e um miúdo com uma mentalidade admirável. Sempre foi visto no F.C. Porto como alguém que pode atingir patamares muito altos.»

O pai Wlodzimierz reage com prudência aos elogios. «O sonho nunca acaba», atira. «Mas o Tomás é um miúdo com os pés no chão e que sabe que tem de estudar para singrar seja em que atividade for. Isto é futebol e, como se diz em Portugal, no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira.»

Por isso não olha para a convocatória do filho como mais do que uma excelente notícia. Importante, diz, é não baixar as notas. «Com treinos, jogos e estágios da seleção, está cada vez mais difícil. Tem de faltar a muitas aulas. Provavelmente vai acabar por baixar, mas era importante que não o fizesse.»

Seleção polaca já fez convites

Ora por falar nisso, convém referir que Tomás Podstawski é internacional sub-16 e sub-17. Começou a representar a seleção nacional há dois anos, num torneio do Algarve, e espera não parar mais de o fazer. Isto apesar de, adianta o pai, a seleção polaca andar sempre de olho nele.

«Já houve conversas da federação polaca e convites indiretos. Mas o Tomás sente-se português. É verdade que sou polaco, mas sem falsas modéstias eu próprio tenho 46 anos e sinto-me melhor cidadão português do que outros portugueses de nascimento», conta o pai Wlodzimierz.

O progenitor acaba até com uma comparação curiosa. «O Chopin, que é considerado o maior músico da história da Polónia, era filho de pai francês. Mas isso não invalidou que fosse polaco. O Tomás domina completamente a língua polaca, vai lá todos os anos com muito gosto, mas é português.»