Lisandro, alma renovada e a inspiração do passado

O reencontro com a serenidade na hora do remate. Dois golos, dois estilhaços de fúria argentina na baliza do V. Setúbal. Semanas e semanas a fio sem marcar deixaram uma marca de ansiedade espelhada no futebol de argentino. Os dois últimos jogos, porém, assinalam a redenção do avançado. Lisandro leva agora oito tentos na Liga. Esta noite, foi uma espécie de segundo avançado, nas costas de Farías. Mais recuado do que o habitual, apostou nas tabelas e nos passes curtos para as ofensivas à defesa sadina. Sai da partida como o melhor homem em campo. O F.C. Porto tem um Lisandro revitalizado para o que falta da temporada.

Raul Meireles, o «sub-comandante»

A lesão de Lucho confere-lhe uma nova responsabilidade dentro da equipa. Raul Meireles não foge dela. Num 4x2x4 amplo mas por vezes desligado, foi um transportador por excelência. Correu, correu, entregou curto e longo, rematou e recuperou imensas bolas. Atravessa uma fase fantástica. Merece a referência e o elogio: é, nesta altura e na ausência de Lucho, o mais importante elemento na organização de jogo do F.C. Porto.

Mariano e Farías, novidades que dão golos

Crescem, conquistam espaço, alegria e auto-estima. Sentem-se, essencialmente, mais úteis e isso faz toda a diferença. Mariano foi o principal catalisador das dezenas de cruzamentos feitos pela equipa do F.C. Porto; Farías, o símbolo da persistência azul e branca. Ficam ligados à partida pela participação directa em cada um dos golos. O ponta-de-lança ofereceu o primeiro a Lisandro, Mariano fez o mesmo no segundo.

Rodríguez, aquele remate ao poste

Até aos 75 minutos não tinha feito o suficiente para ser incluído nestes «destaques». Depois, com uma cavalgada impressionante culminada com um remate ao poste conseguiu fazer-nos mudar de ideias. Aqui está então Rodríguez: uma partida irregular, pincelada com bons pormenores e uma jogada fantástica a 15 minutos do fim.

Bruno Gama e Leandro Lima, saídas incompreensíveis

Aos 58 minutos, o Vitória de Setúbal optou por prescindir dos dois jogadores que mais trabalho estavam a dar à defesa do F.C. Porto. No meio de tanta pobreza, custa entender a percepção de Carlos Cardoso. A partir desse momento, o ataque sadino deixou pura e simplesmente de existir.

Hugo, experiência é equilíbrio

Actuação muito equilibrada do experiente jogador. Sem grandes correrias, sempre bem colocado à frente dos centrais, foi um dos principais responsáveis por o F.C. Porto ter estado uma hora à espera do primeiro golo.

Rabiola, a primeira vez

19 anos, talento transbordante e faro de goleador. A estreia absoluta na Liga com a camisola do F.C. Porto justifica estas linhas. Sete minutos para mais tarde recordar.