O capitão do Sporting nasceu ali perto, em Portimão, e por isso é uma inspiração para as cerca de cem crianças que por ali treinam e que sonham vir a ser craques. A detecção de novos talentos no Algarve é liderada, neste projecto, por dois elementos da família: Nélson e David Moutinho, pai e irmão do número 28 do Sporting. A parceria com o emblema leonino vai no segundo ano, mas o projecto foi iniciado em 1999, com a designação Escola de Futebol de Portimão.

«Sempre tive a ambição de criar uma escola, para colocar em prática os meus conhecimentos, sejam eles poucos ou muitos», disse ao Maisfutebol Nélson Moutinho, pai do capitão do Sporting e antigo jogador (representou Benfica, Portimonense, Beira Mar, U. Leiria, Barreirense, Benfica de Castelo Branco, Olhanense e Silves).

À «caça» de futuros «leões»

Os aspirantes a craques têm idades compreendidas entre os quatro e os 12 anos. Nos treinos, é seguida uma metodologia definida pelo Sporting, e da qual pouco se pode revelar. «Seguimos uma linha orientadora, mas é segredo. O que posso dizer é que procuramos que os miúdos não saltem etapas. Por exemplo, devem começar primeiro com a técnica individual, com a recepção e o passe, e só depois começar a jogar», explica David, irmão de João Moutinho.

O trabalho, diz Nélson, «tem sido excelente». «Estamos a trabalhar com muito empenho. As crianças e os pais estão satisfeitos», diz o pai de João Moutinho, que acredita na possibilidade de, dentro de alguns anos, ter alguns dos seus «pupilos» a seguir os passos do filho, na equipa principal do Sporting. «Temos meia dúzia ou uma dúzia de crianças com muita qualidade. Também é preciso ter sorte, é preciso que sejam vistos no momento certo», defende.

David alimenta a mesma esperança, apesar de a Escola de Talentos João Moutinho só trabalhar com os jovens até aos 12 anos. «Esse é o nosso objectivo [formar futuros craques]. Existem crianças com muito talento», diz.

Perto de casa, mas sem sentimento especial

Com a final da Taça da Liga a ser disputada relativamente perto de Estombar (Lagoa), seria engraçado que as crianças fizessem uma «visita de estudo» ao Estádio do Algarve, mas isso não será possível. «A Associação de Futebol do Algarve costuma dar alguns bilhetes, mas desta vez, como é um derby, não deram. Para além disso é um jogo de risco, seria complicado levar as crianças», explica Nélson, ao Maisfutebol.

Mesmo sem a «criançada» no estádio, a família Moutinho vai estar do lado de fora, a torcer para que João levante mais um troféu. O capitão leonino vai estar a jogar quase em casa, mas isso não deve trazer sentimentos especiais.

«Penso que não será especial. Já ultrapassou todos os patamares. É um jogo igual. Já não é nenhum miúdo», diz o pai, cuja opinião é partilhada por um dos outros filhos. «No início da carreira talvez fosse especial. Agora não. A única coisa especial é ser um derby», diz David.