Foi a meio da semana que o slogan – chamemos-lhe assim – apareceu em força, ganhou projeção nas redes sociais, tornou-se o mote para o mais profundo desejo de um clube – e, digamos, de uma cidade que mantém uma ligação muito peculiar (e rara, cada vez mais) com o emblema da terra.
«90+90. Vamos ficar», lia-se em camisolas, em autocolantes espalhados pela cidade, num dos principais cafés junto ao Estádio São Luís. A mensagem queria-se concisa, direta e eficaz – ao contrário do que foi o futebol do Farense ao longo da época.
Hoje, eram os primeiros 90 minutos desses 180 – e não eram 90 minutos quaisquer; eram a oportunidade para o clube da capital algarvia arrancar da melhor maneira o play-off de permanência na II Liga.
No campo, estavam dois históricos: Farense e Belenenses – histórias várias os unem, como aquela meia-final da Taça de Portugal, em 1990, que levou os algarvios ao Jamor, ou tantos nomes que jogaram de um lado e de outro, como Vasco Faísca, Neca, Licá, Marco Aurélio – o guarda-redes - , o próprio Jorge Jesus.
Só um destes históricos vai jogar na II Liga na próxima época – e, jogados os primeiros 90 minutos, é o Farense quem parte em vantagem.
A equipa algarvia ganhou por 1-0, num jogo muito equilibrado, sem grandes momentos de interesse, mas em que o calcanhar de Candeias fez toda a diferença.
O Farense entrou melhor, teve 5 minutos de puro domínio, mas logo a partida entrou numa toada morna: a dificuldade dos comandados de José Faria em mostrar um rasgo de bom futebol era tão evidente que o Belenenses foi acreditando.
Gastão ameaçou por duas vezes, sem sucesso; Candeias, na outra baliza, deu o melhor seguimento a um canto rasteiro, batido por Miguel Menino, para, de calcanhar, colocar o Farense na frente do jogo – e do play-off.
Esperar-se-ia, exigia-se, contava-se com mais na segunda parte, mas seria puro engano: os algarvios pura e simplesmente desapareceram do ataque; o Belenenses apenas levou perigo por intermédio de Afonso Afonso, ao minuto 55, para defesa atenta de Brian Araújo.
Nos últimos minutos, o slogan que surgiu a meio da semana voltou a ganhar força – e terá sido talvez o que verdadeiramente agarrou este Farense a um resultado que, sendo escasso, serve de alento.
Agora, restam mais 90 minutos - o que também serve para o Belenenses.
A FIGURA: Candeias
Numa época cheia de instabilidade, Candeias foi sendo um dos melhores elementos dos algarvios. É um filho de Faro, formado no clube, e é por isso um dos elementos mais acarinhados pela massa adepta. Hoje, foi ele quem decidiu o jogo, com um grande golo, pleno de classe: de calcanhar, à Madjer.
O MOMENTO: Um calcanhar até ao Restelo (31m)
Foi o momento do jogo – e, até agora, do play-off. O golo de Candeias, apontado ao minuto 31, foi o grande destaque de uma partida pautada pelo equilíbrio – e que poderia perfeitamente ter terminado empatada, dada a boa réplica do Belenenses em Faro.
POSITIVO: Apoio ao Belenenses em Faro
Eram seguramente cerca de 200 a 300 os adeptos do Belenenses que viajaram de Lisboa para Faro no apoio à equipa. A história do Belém – como bem sabemos – é daquelas que derrete qualquer adepto do futebol: o clube, campeão nacional, passou por um longo calvário, já voltou aos campeonatos profissionais, já desceu à Liga 3, mas nunca aqueles estoicos que hoje estiveram em Faro o abandonaram. É bonito.