A SAD do FC Porto apresentou um resultado líquido consolidado de 39,240 milhões de euros (ME), relativo ao exercício financeiro da época 2024/25, de acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), na manhã desta quarta-feira.
Anunciado como «o melhor resultado de sempre» da SAD do FC Porto, é invertido o resultado negativo de 21,063 ME registado pela sociedade no final da época 2023/24.
O resultado operacional da SAD, sem negócios que envolvam jogadores, é de 2,441 ME de lucro, contrastando com o resultado negativo de 1,966 ME do exercício financeiro anterior.
A SAD do FC Porto conseguiu uma redução de mais de 29 milhões de euros (29,366 ME) em custos operacionais, para 147,099 ME (eram 176,465 ME em 2023/24), representando menos 17 por cento face a 2023/24: de destacar a descida de custos de 10,047 ME em «fornecimentos e serviços externos, refletindo o esforço da nova administração na implementação de medidas de maior eficiência, contenção e racionalização de custos», assinala a SAD: este valor passou de 56,782 ME para 46,734 ME. Outros 7,481 ME a menos foram em «custos com pessoal, apesar da integração dos quadros da sociedade FC Porto – Serviços Partilhados, com redução expressiva dos custos com a equipa principal e com o Conselho de Administração»: passaram de 89,419 ME para 81,939 ME.
Já os proveitos operacionais sem transações de atletas foram de 149,540 ME, menos 24.959 ME do que em 2023/24 (exercício com 174,499 ME nestes proveitos), representando cerca de 14 por cento abaixo do exercício anterior. Uma descida para a qual contribuiu a ausência da Liga dos Campeões da UEFA (impacto de 47,853 ME em receitas), ligeiramente atenuada pela participação no Mundial de Clubes. Excluindo o efeito das provas da UEFA, os proveitos operacionais teriam aumentado cerca de cinco por cento.
Já as receitas de bilheteira (lugares anuais e bilhetes vendidos a cada jogo) tiveram uma subida de 1,732 ME face ao período homólogo.
Transações de jogadores valem mais de 100 milhões de euros
Quanto aos resultados com transações de atletas, a SAD do FC Porto alcançou um resultado positivo de 100,436 ME, um valor recorde e que mais do que dobra em relação aos 41,578 ME registados em 2023/24: mais 58,858 ME.
Neste bolo, os proveitos com transferências de atletas (desde definitivas, empréstimos e outras receitas associadas, como mecanismo de solidariedade da FIFA/direitos de formação), a SAD do FC Porto alcançou proveitos de mais de 171 milhões de euros (171,502 ME), valor obtido muito graças a transferências como Nico González (60 ME para o Manchester City), Wenderson Galeno (50 ME para o Al-Ahli) ou Evanilson (37 ME para o Bournemouth).
Há ainda, neste plano, a registar a transferência de David Carmo para o Nottingham Forest (11 ME) «cuja menos-valia foi já reconhecida no exercício anterior, nos termos das normas contabilísticas aplicáveis». Junta-se também o encaixe de 9,5 ME pelo empréstimo de Francisco Conceição à Juventus, cuja venda posterior, concretizada em julho de 2025, refletir-se-á contabilisticamente apenas no próximo exercício financeiro. Há, ainda, 4,7 ME pelo cumprimento de objetivos associados às transferências de Evanilson e de Luis Díaz (Liverpool) e também a mudança de Toni Martínez para o Alavés (2 ME).
Em contraste com os encaixes financeiros, a SAD do FC Porto teve custos totais de 71,067 ME com transações de atletas (entre custos de transferências e empréstimos, comissões de intermediação, encargos com direitos de solidariedade, abate de valores contabilísticos dos ativos e valores pagos por cedências temporárias), atingindo-se assim os tais 100,436 ME.
Capitais próprios ainda negativos, mas com grande melhoria. Dívida financeira líquida sobe
Quanto aos capitais próprios (diferença entre os ativos e passivos), a SAD do FC Porto ainda está “no vermelho”, mas apresenta melhorias significativas no seu património: passou dos 113,761 ME negativos para apenas 10,458 ME negativos (melhoria de 103,303 ME).
Esta evolução resulta de dois fatores principais, como a incorporação do robusto resultado líquido obtido no exercício de 2024/25 e também o impacto da parceria com a Ithaka, que ditou a venda de 30 por cento dos direitos económicos da exploração do Estádio do Dragão, por 65 ME (ainda com potencial chegada aos 100 ME).
O total do ativo (corrente e não corrente) é de 508,745 ME (mais 101,631 ME face ao período homólogo) e o passivo reduziu para 519,203 ME (menos 1,672 ME).
Já a dívida financeira líquida aumentou quatro por cento, sendo de 254,093 ME. De recordar, que o FC Porto concretizou, a 11 de novembro de 2024, através da sua subsidiária Dragon Notes, a emissão de obrigações no valor de 115 ME, com prazo de vencimento de 25 anos. Houve, ainda, em novembro de 2024 e em março de 2025, dois empréstimos obrigacionistas, que totalizaram 71,044 ME (21,044 ME em novembro e 50 ME em março).
O documento é apresentado na manhã desta quarta-feira, a partir das 11 horas, publicamente, no Estádio do Dragão.
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