André Villas-Boas assumiu esta quarta-feira que a conquista do campeonato pelo FC Porto foi vivida de forma bem diferente daquela que experimentou enquanto treinador. No Festival ECO, no Centro Cultural de Belém, o presidente azul e branco confessou que o cargo mudou a forma como sente os triunfos do clube.
«Eu senti alívio. Como presidente deixei de sentir felicidade, agora sinto alívio pelas responsabilidades de que te falei há pouco», afirmou Villas-Boas.
«Enquanto treinador vivia a vitória e vivia felicidade na vitória. Agora vivo alívio, jornada após jornada, pela obtenção de um objetivo», referiu entre risos.
O dirigente destacou ainda o simbolismo da reconquista do campeonato, depois de quatro temporadas sem títulos nacionais.
«Foi sobretudo uma excelente organização, a possibilidade das pessoas soltarem as suas emoções. O FC Porto não era campeão há quatro anos e, quando assim é, há uma explosão de alegria enorme. Fez desta festa uma festa única», acrescentou.
Questionado sobre as decisões tomadas desde que assumiu a presidência, Villas-Boas apontou à gestão financeira e estrutural do clube.
«O FC Porto apostou numa melhor gestão dos seus recursos, de governance, de responsabilidade económica, de gestão dos seus poucos ativos financeiros e de reestruturação da dívida. Foram decisões de rutura para que o FC Porto se mantivesse um clube social», disse o dirigente azul e branco antes de recusar falar em «rotura» quando Sérgio Conceição saiu do clube.
«São decisões que são tomadas. O Sérgio Conceição é o técnico com mais sucesso no FC Porto e merece todo o respeito. Foi e é um líder exemplar e único na história do clube», sublinhou.
Villas-Boas foi ainda desafiado a olhar para o futuro europeu dos clubes portugueses e deixou uma visão pouco otimista em relação à principal prova da UEFA.
«Ganhar a Liga dos Campeões? Diria que é praticamente impossível. A Premier League disparou para níveis estratosféricos na capacidade de compra e financiamento. Está noutro patamar», afirmou, ironizando logo de seguida.
«Se há Brexit, também devia haver Brexit para as competições europeias. E isso não aconteceu».
Ainda assim, o presidente portista admite que as restantes provas europeias continuam ao alcance, embora sublinhe a prioridade dos dragões e dos restantes clube portugueses.
«As outras competições são possíveis, mas é o lugar onde não queremos estar. Queremos estar na Liga dos Campeões. Todos queremos estar nas competições mais importantes e essa é a Liga dos Campeões e será muito difícil ganhar.»