Psicologias à parte, a ronda 24 mostrou que os treinadores calculistas têm, efetivamente, toda a razão no seu discurso ponderado e pouco apaixonado: vale o mesmo ganhar por um ou por sete. Três pontos para o Benfica, três pontos para o FC Porto.

Goleada como não e via desde o século passado, noite de luxo, com golos para todos os gostos frente ao cada vez mais aflito Nacional. O FC Porto brilhou esta semana e levou os três pontos.

Jogo complicado na Feira, frente a uma equipa aguerrida que também teve as suas oportunidades para marcar e, com um pouco mais de sorte, até poderia complicar a vida ao líder Benfica. Mas a única bola que entrou foi a de Pizzi e, mesmo sem a mais categoria das exibições, o Benfica levou os três pontos.

Os dois últimos parágrafos começam de forma diferente, pelo meio têm passagens distintas, mas terminam da mesma forma. Foi assim esta semana, em que o carrossel da Liga, deu mais uma volta para ficar na mesma. 360 graus no fundo.

Claro que há, depois, a vertente psicológica do assunto, sobretudo para um FC Porto que conseguiu, com classe, a melhor série de vitórias de toda a Liga. Ainda ninguém tinha ganho oito jogos seguidos. Mas se não houver continuidade em Arouca e, sobretudo, se o Benfica continuar a responder com firmeza, servirá de pouco.

CLASSIFICAÇÃO DA LIGA

De resto, a jornada confirmou a ideia de que é muito mais difícil motivar uma equipa que parece, tão cedo, arredada de objetivos maiores. O Sporting perdeu mais dois pontos, agora em casa, frente a um V. Guimarães que, apesar do bom resultado em Alvalade, viu o rival direto, Sp. Braga, fugir mais um pouco, pois Jorge Simão quebrou a malapata e, frente ao Arouca, voltou aos triunfos. Rui Fonte, com um bis, brilhou acima dos demais.

E a somar à fuga dos bracarenses, há a registar a aproximação do Marítimo de Daniel Ramos, que bateu o V. Setúbal em casa (1-0) e tem agora apenas menos três pontos que o V. Guimarães. E tudo isto numa jornada em que o Vitória foi a Alvalade e não perdeu...

Cá mais abaixo, o Nacional, goleado no Dragão, passou a ser último a par do Tondela, porque Pepa conquistou um ponto na Mata Real, um resultado que, certamente, não é brilhante nem para uns, nem para outros.

Vale aos dois últimos que as equipas logo acima não escaparam muito. O Estoril até perdeu, no fecho da jornada, em casa, com o Rio Ave, ao passo que o Moreirense empatou, na abertura, com o Boavista. Ambos têm 20 pontos e quatro para gerir face aos lugares que obrigam à descida de escalão.

Essa é uma luta que Belenenses e Desp. Chaves não vivem. E os flavienses, derrotados no Restelo, também viram mais difícil a entrada numa outra: a do acesso à Europa. Provavelmente acabarão ambos a lutar por algo pouco emocionante mas que nenhum treinador que parta com a meta da manutenção rejeita desde logo: o melhor lugar possível.