Resolver cedo, complicar e descomprimir antes de um março muito exigente. O FC Porto inaugurou a 24.ª jornada do campeonato com nova vitória no Dragão, desta feita ante o Arouca (3-1). Nesta sexta-feira, Francesco Farioli devolveu Pablo Rosario ao meio-campo – colmatando a ausência do castigado Alan Varela – e apostou em Kiwior no centro da defesa, ao lado compatriota Bednarek.

Nos “Lobos”, Vasco Seabra lamentou os castigos de Tiago Esgaio, Lee e Van Ee, promovendo a titularidade de Diogo Monteiro, Pablo Gozálbez e de Brian Mansilla. No banco do Arouca esteve Bruno Duarte Gomes, mais conhecido como Batata. O ponta de lança de 18 anos, habitual aposta na equipa B, na distrital de Aveiro, é o primeiro jovem arouquense a constar numa ficha de jogo desde 2015/16.

Recorde a história desta partida.

Apito inicial, bola em Diogo Costa e carruagem azul e branca engole a muralha amarela. Esférico bombeado para a área de Arruabarrena, Froholdt garante a posse, flete para a direita e remata cruzado. A concretização sai torta, mas Oskar Pietuszewski – oportuno e veloz – desvia ao segundo poste, embatendo no ferro. O sistema sonoro nem se expressa, uma vez que o árbitro auxiliar tem a bandeira em riste.

Enquanto Pietuszewski se lamenta de dores nas costelas, o VAR intervém e dá o veredito: o polaco está em jogo por seis centímetros. Ou seja, o extremo inaugurou o marcador aos 13 segundos. Eis o desenlace do primeiro capítulo, marcado também pela homenagem a Borja Sainz, de luto pela morte da mãe.

Na estreia a marcar, Oskar Pietuszewski – aos 13 segundos – fez o golo mais rápido do FC Porto no Dragão, o golo mais rápido desta edição da Liga e coroou-se como o mais jovem estrangeiro a faturar pelos portistas.

De notar igualmente que, face à vitória sobre o Rio Ave (1-0), Froholdt – que fez a quinta assistência na época – inverteu os papéis com Pietuszewski.

Até ao intervalo, Zaidu, Pietuszewski, Froholdt – que até rematou ao poste – Gabri Veiga e Pepê protagonizaram as principais investidas, ainda que Kuipers e Arruabarrena fizessem o suficiente para evitar o 2-0.

O domínio era tal que o FC Porto levava mais posse de bola, grandes oportunidades (2-0), remates (6-1), cantos (2-0), livres (7-6), toques na área adversária (10-1), passes concretizados (227-167), lançamentos (16-9), entradas no último terço (25-8), recuperações de bola (25-24) e interceções (10-6). Mas tal apenas se traduzia num golo.

A segunda parte arrancou com um aviso que o FC Porto menosprezou. Estavam decorridos 27 segundos quando o médio Fukui arriscou fora da área e acertou na barra de Diogo Costa. Mas não foi ameaça suficiente para os comandados de Francesco Farioli. Entre trocas, os anfitriões permaneceram ineficazes, ao contrário dos “Lobos”.

Ao segundo remate enquadrado, o extremo Djouahra acreditou no empate e encheu o pé fora da área, pelo meio. Perante a multidão pela frente, Diogo Costa ficou pregado ao relvado e observou em silêncio a inesperada festa arouquense, patrocinada pelo sétimo golo de Djouahra na época.

Para lá de desesperado, o FC Porto foi incapaz de ameaçar até ao minuto 87. Na área, Fofana serpenteou, falhou o remate e caiu, levando o árbitro Iancu Vasilica a assinalar penálti – interpretação que o VAR corroborou – para fúria de Vasco Seabra e companhia.

O que poderia ter sido uma vitória tranquila transformou-se numa noite agoniante, mas William Gomes resolveu aos 90+2 minutos, atingindo o nono golo. O extremo brasileiro de 19 anos é o segundo melhor marcador do FC Porto, somente atrás de Samu.

A fechar, aos 90+9m, Moffi estreou-se a marcar, assistido por William Gomes. O nigeriano de 26 anos soltou a festa e até celebrou com acrobacias.

O terceiro triunfo consecutivo no campeonato deixa o FC Porto com 65 pontos, aguardando pelo desfecho do Sporting-Estoril. No calendário dos dragões segue-se a visita a Alvalade, na terça-feira (20h45), na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal.

Quanto ao Arouca, arrisca cair do 10.º lugar, onde permanece com 26 pontos. Segue-se a visita ao Famalicão (6.º), na sexta-feira (20h15).