A SAD do FC Porto apresentou no primeiro semestre de 2025/26 um resultado líquido positivo de 1,9 milhões de euros. Os resultados consolidados da primeira metade do exercício financeiro anual foram comunicados pela sociedade portista à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O resultado deste primeiro semestre traduz-se num aumento de 1,3 milhões de euros (ME) face ao período homólogo: em 2024/25, ao fim do mesmo período, a SAD azul e branca registou um resultado líquido consolidado de 638 mil euros.

No entanto, em relação aos 334 mil euros de resultado líquido consolidado atribuível aos detentores de capital próprio da empresa-mãe (FC Porto) no período homólogo, houve um decréscimo de cerca de 1,2 ME, para 866 mil euros negativos. A SAD portista nota que tal sucede-se «dado o crescimento dos Interesses minoritários».

Os valores encaixados com transações de jogadores permitiram impulsionar o resultado parcial de 2025/26, com uma subida de 58 por cento para 41,6 ME: um crescimento de 15,3 ME face aos 26.4 ME do mesmo período em 2024/25, já sob a presidência de André Villas-Boas.

Privado de receitas ainda mais significativas face à ausência da Liga dos Campeões – o FC Porto participa na Liga Europa – a SAD registou ainda 80,878 ME de receitas operacionais excluindo passes de jogadores, valor que representa um crescimento de 3,828 ME face aos 77,050 ME do período homólogo.

Neste capítulo, destaque para a subida de receita no merchandising e também ao nível de bilheteira.

Subida nos custos operacionais sem passes (em especial nos custos com pessoal)

Quanto a despesas, os custos operacionais (excluindo passes) subiram 18 por cento, de 74.233 ME para 87.944 ME.

Neste aspeto, a fatia mais considerável para esta subida deveu-se aos custos com pessoal (que envolvem salários de plantéis, estrutura de pessoal das diversas empresas representadas no resultado, encargos fiscais, seguros de acidentes de trabalho, indemnizações e prémios de desempenho desportivo), que subiram quase 13 ME (12,987), para 51,256 ME. A SAD do FC Porto refere que «parte deste crescimento é explicado pela integração dos custos com o pessoal que integravam a empresa FC Porto - Serviços Partilhados, S.A, em cerca de 1,116 ME, mas também pelas rescisões contabilizadas neste semestre, assim como com o aumento da remuneração, fixa e variável, paga aos jogadores e equipa técnica do FC Porto, bem como ao peso acrescido do futebol feminino incluindo a respetiva formação».

Ainda assim, o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve uma subida de 4,221 ME, de 35.050 ME para 39.270 ME, «refletindo os meios libertos pela atividade operacional da Sociedade», nota esta.

Capital próprio continua negativo, mas melhora

Quanto ao capital próprio da SAD (diferença entre ativo e passivo), houve uma melhoria, apesar de ainda continuar no negativo. Nesta altura, fixa-se nos 6,239 ME a 31 de dezembro de 2025. Ou seja, recuperou 4,219 ME em relação ao valor negativo de 10,458 ME a 30 de junho de 2025.

Para este registo contribuiu, em relação ao final do exercício de 2024/25 em junho, uma descida do passivo total e uma subida do ativo total. O passivo (corrente e não corrente) reduziu em 1,974 ME (de 519,203 ME para 517,229 ME) e o ativo (corrente e não corrente) subiu 2,244 ME (de 508,745 ME para 510,989 ME).

A dívida financeira líquida reduziu 46,4 ME.

Villas-Boas: «Clube consolidou a sua reputação»

O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, refere, na mensagem associada aos resultados do primeiro semestre do exercício 2025/26, que o «clube consolidou a sua reputação, reforçando a sua ambição competitiva e demonstrando aos mercados os resultados de uma gestão renovada, assente em princípios de rigor e responsabilidade».

«Do ponto de vista económico-financeiro, os resultados refletem uma trajetória de consolidação e recuperação sustentável tendente a ter uma exploração económica equilibrada. O aumento das receitas operacionais - com destaque para as receitas comerciais integrando patrocínios e bilhética, onde o aumento contínuo do número de Sócios e o aumento e venda integral de Lugares anuais alimentam fundadas expectativas -, os resultados superiores com transações com passes de jogadores e a redução dos encargos financeiros, fruto das operações de refinanciamento da dívida, com destaque para a amortização quase total da operação de antecipação dos direitos televisivos, permitiram compensar o aumento de custos resultante do investimento na equipa principal de futebol, alcançando um resultado líquido equilibrado», concluiu.