Francesco Farioli já conseguiu a melhor primeira volta de sempre no campeonato português e nem sequer completou uma época inteira, antes de assinar um novo contrato com o FC Porto. A história recente dos três grandes diz-nos que há casos de sucesso nas renovações, mas existem outros que antecederam uma queda abrupta.
O último treinador a renovar contrato num clube grande em Portugal foi Sérgio Conceição, numa altura muito conturbada do FC Porto. Em abril de 2024, a apenas dois dias das eleições nos portistas, Pinto da Costa puxou uma última cartada e o FC Porto oficializou a renovação com Conceição até 2028.
O antigo presidente dos dragões viria a perder o ato eleitoral para André Villas-Boas e Conceição, que ainda conquistou a Taça de Portugal, decidiu sair – o acordo previa a rescisão de qualquer das partes caso Pinto da Costa não fosse reeleito – devido à «quebra de confiança» com um adjunto, no caso Vítor Bruno, que assumiu o lugar.
A queda inexplicável de Schmidt
Antes de Conceição, houve um exemplo muito semelhante ao de Farioli, mas no Benfica. Com menos de um ano no cargo de treinador dos encarnados, Roger Schmidt liderava o campeonato e renovou, no final de março de 2023.
A assinatura do novo vínculo deu-se a uma semana do clássico com o FC Porto e a semana e meia do início dos quartos de final da Liga dos Campeões, frente ao Inter de Milão. Tudo corria de feição aos encarnados que, apesar da saída de Enzo Fernández, lideravam o campeonato com dez pontos de avanço sobre o FC Porto. Ainda veio uma vitória em Vila do Conde (1-0), mas depois o Benfica perdeu com o FC Porto na Luz (2-1), foi eliminado da Champions pelo Inter e, pelo meio, perdeu em Chaves (1-0), num jogo que permitiu que o FC Porto reduzisse a desvantagem para quatro pontos.
Os dragões não descolaram e venceram os restantes jogos, porém, o Benfica reentrou nos eixos e só empatou em Alvalade (2-2), tendo sido campeão com dois pontos de vantagem.
Na época seguinte, Schmidt até começou com a conquista da Supertaça, mas foi eliminado nas meias-finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal. Além disso, caiu na fase de grupos da Champions, ficou-se pelos «quartos» da Liga Europa e, no campeonato, foi segundo, a dez pontos do Sporting.
Era a crónica de uma saída já esperada. Schmidt arranca 2024/25 ao leme do Benfica, mas aguenta apenas quatro jornadas do campeonato e é rendido por Bruno Lage.
Amorim é um caso de confiança e o de maior sucesso
Ruben Amorim é o elemento disruptivo nas renovações de contrato nos grandes. Campeão em 2020/21 e depois de um segundo lugar na época seguinte, chegou a novembro de 2022 no quarto lugar, a 12 (!) pontos do líder Benfica. Mesmo assim, Frederico Varandas avançou com um novo contrato, que seria válido até 2026.
E foi uma aposta ganha. Contudo, houve sofrimento pelo meio: o Sporting acabou mesmo a temporada em quarto. Nas duas épocas seguintes, porém, os leões sagraram-se bicampeões, com títulos sem qualquer contestação e o técnico só saiu em novembro de 2024, para assumir o Manchester United.
Rui Borges é o próximo?
Se é certo que José Mourinho está há apenas cinco meses no Benfica e é prematuro falar em renovação, o mesmo não se pode dizer de Rui Borges. O técnico de Mirandela tem contrato em Alvalade até 2027, mas já paira no ar a possibilidade de renovar contrato, algo que agrada ao próprio, como de resto já confessou.