Na antevisão ao jogo com o Sporting em Alvalade, o treinador do FC Porto, Francesco Farioli, procurou desmistificar algumas ideias associadas à sua equipa e explicou a forma como gosta de gerir os jogos:
Podemos esperar um FC Porto ainda mais pragmático em Alvalade?
«Defina o que é pragmatismo para si… Em todos os nossos jogos, viram uma equipa que em todos os momentos tentou desafiar o adversário. Ao contrário, com equipas que, na teoria, são mais ofensivas, isso não aconteceu. Tivemos equipas que vieram ao Dragão e foram muito pragmáticas e especulativas, porque decidiram, intencionalmente, não pressionar e defender retirando espaços atrás. Depois, sermos a melhor defesa de Portugal e da Europa significa que defendemos bem. E no nosso estilo, defender bem implica pressionar muito alto, que é o que vamos fazer amanhã. Mas contra uma equipa como o Sporting, que é capaz de te obrigar a defender um pouco mais baixo, temos de ser também muito bons nesses momentos e ter a humildade e a atitude certa para defender numa parte diferente do campo. Mas a nossa intenção é sempre a mesma: dar um passo em frente e dar tudo contra todos os adversários. Nesta parte somos muito previsíveis. Somos a melhor equipa em termos da intensidade da pressão, reação à pressão ou PPDA (passes por ação defensiva). É muito difícil associar estas estatísticas a uma equipa que é “pragmática”.»
Março será um mês decisivo na temporada do FC Porto?
«Vai ser um período muito desafiador. Vão ser seis jogos em três competições diferentes, muito exigentes, física e mentalmente. Gosto de pensar jogo a jogo. A estabilidade emocional é a parte mais importante. Não há resultado que nos possa colocar numa situação de excesso de confiança. O mais importante é sermos muito clínicos. Assim que um jogo terminar, ele fica para trás e temos de nos agarrar ao presente e ao que virá no futuro.»
Substituições programadas
«Sou muito analítico na forma como me preparo. Isso não significa que vai ser sempre assim, mas na maioria das vezes sim. Se queremos ter performances desta dimensão física, às vezes não conta só a parte física, mas também a mental. Acredito muito na força da equipa. Sou muito sortudo por treinar um grupo de jogadores que estão a um muito bom nível. Se, hoje, estamos onde estamos, da forma como estamos e com a energia que temos é porque os jogadores acreditam no nosso plano, a curto e longo prazo. Sabem da minha forma de pensar, de que todos vão desempenhar um papel importante ao longo da época. Fico feliz também por, em muitas posições, termos vários jogadores que as podem desempenhar. Jogue quem jogar, eles dão sempre resposta. Temos o exemplo do Gabri (Veiga) e do Rodrigo (Mora), mas também do Alan (Varela) e do Pablo (Rosario). É algo muito particular. Se os tiro aos 60 minutos, isso não quer dizer que não tenham a capacidade de continuar, mas é nisso que acredito. Tentamos preparar muito bem as coisas a longo termo, mas nos jogos às vezes temos de mudar, pelo rumo que eles tomam. Mas gosto de ir para os jogos com três, quatro ou cinco cenários preparados».