Dragão, minuto 93. Se o F.C. Porto vencer a Liga, é bom recordar este instante. Pode muito bem ser decisivo. O F.C. Porto vencia por 3-2, a U. Leiria beneficiou de um penalty e podia empatar o jogo. Helton não deixou: defendeu o remate de Ronny e garantiu o regresso às vitórias: crucial, depois da derrota na Luz.
Ora com isso o F.C. Porto fechou a primeira volta um pouco como a viveu: com mais promessas do que concretizações. Ameaçou uma noite cheia, com bom futebol e uma vitória tranquila, mas não conseguiu mais do que o triunfo pela margem mínima. Somou por isso três pontos e manteve-se na luta pela aproximação ao topo.
Numa análise mais larga, essa é a maior conclusão a retirar deste jogo: a equipa venceu e manteve-se na luta pela aproximação ao topo. Numa análise mais curta, a vitória foi o espelho da época. Há momentos em que consegue algum brilhantismo e solta ameaças de crescimento, ameaças essas anuladas logo a seguir.
Por isso mantém-se num limbo entre a discrição e a exuberância. Ameaça partir para a afirmação plena, mas acaba por arrastar-se no limite do razoável. Soma cinco vitórias consecutivas, por exemplo, e empata em casa com o Belenenses. Goleia em Guimarães e Madrid, outro exemplo, e deita tudo a perder na Luz.
Falcao, um mês depois e na melhor altura
Este domingo, na recepção à U. Leiria, o F.C. Porto entrou bem. Perante um adversário que praticamente só defendida, a formação azul e branca assentou bons princípios do passado: pressão alta, boa circulação de bola, transições rápidas e capacidade de esticar o futebol pelas alas, sobretudo a direita onde estava Varela.
Fez um primeiro golo de Falcao anulado por fora-de-jogo, marcou logo a seguir pelo mesmo Falcao e prometeu partir para uma noite de barriga cheia. A U. Leiria não ameaçava nem um pouco. O F.C. Porto, esse, jogava tranquilo no campo adversário. Não era pujante, mas convencia. Bons sinais, portanto.
O que Helton tira...
A noite corria a favor dos corações azuis e brancos quando Helton comprometeu. Na sequência de um livre, ficou como o tolo, no meio da ponte, sem saber para que lado seguir, e permitiu o golo de Diego Gaúcho. Um empate que caiu do céu e aos trambolhões para uma U. Leiria quase estéril no ataque.
O empate durou pouco, porém. Logo a seguir, Bruno Alves subiu ao segundo andar para cabecear em fúria uma bola de canto. O F.C. Porto voltava para a frente e repunha as coisas nos moldes anteriores: promessas e ameaças. Não concretizadas, claro. Faltava o tal outro golo que empurrasse a equipa.
... Helton dá em dobro
Ora por isso, quando na segunda parte Ronny aproveitou uma falha de marcação para disparar a bomba que empatou outra vez o jogo, o Dragão tremeu. Tremeu de frio e de nervosismo. O golo surgia outra vez caído do céu e aos trambolhões, não anunciando nada de bom. Já não podia ser só um capricho da sorte.
Jesualdo percebeu que não se ameaçava nada de bom e foi rápido a responder: trocou Miguel Lopes por Farias e apostou tudo. Falcao, outra vez ele, que não marcava há mais de um mês, bisou e tranquilizou os espíritos. Elmano Santos expulsou então injustamente Djuricic e o jogo pareceu resolvido.
A expulsão do guarda-redes foi aliás um dos momentos do jogo. É certo que o árbitro falhou muitas vezes, bem mais do que o limite do razoável, mas aquele erro (a bola bateu na cara do guarda-redes) foi particularmente grave. Deixou a U. Leiria reduzida a dez e atirou o F.C. Porto para uma série de ocasiões de golo.
Mas estava escrito que esta história ia ser longa. Por isso, e já em período de descontos, houve o tal penalty que gelou o Dragão. Uma infantilidade enorme de Fernando, que acabou expulso. Brilhou Helton, como se disse. Uma defesa que valeu mais do que três pontos: permitiu encerrar a primeira volta na luta pelo título.