Hulk

Caso incontornável de um talento sem dimensão colectiva exigida a um futebolista de topo. Por cada lance de génio, surgem dois ou três onde os próprios companheiros de equipa levam as mãos à cabeça, tamanho o individualismo. Compete, antes de mais, aos responsáveis portistas limitar a liberdade do avançado brasileiro. Contudo, é igualmente verdade que ele continua a decidir. Fê-lo na primeira parte, com um remate desviado por Ricardo Chaves, rumo à baliza do Rio Ave, completando a obra na etapa complementar. Mais dois golos, após o «hat-trick» frente ao Genk. Cinco golos em quatro dias. Uma média soberba.

Hélton

Cinco jogo sem sofrer golos. Falhou a recepção ao Genk por opção, vendo Beto a buscar por duas vezes a bola ao fundo das redes. Regressando ao onze, Hélton voltou a comprovar o belo momento de forma. Seguro quando chamado a intervir, destacando-se um cruzamento de Saulo que levava a bola directamente para a baliza. Segurança ainda a sair dos postes e no jogo com os pés. Um capitão inspirado.

Sapunaru e Fucile

Luta interessante pelo lado direito da defensiva portista. André Villas-Boas mantém-se fiel ao onze que arrancou a temporada e, mesmo com Fucile a caminhar para a continuidade, tem repetido a aposta em Sapunaru. O lateral romeno, pouco convincente na época passada, subiu de nível desde o regresso ao Dragão. Em Vila do Conde, não comprometeu, apesar de alguns duelos perdidos com Bruno Gama. Contudo, foi traído por uma lesão aparentemente grave, abrindo caminho para o regresso de Fucile. Um regresso com a corda toda, saliente-se. Resta Miguel Lopes, por ora sem espaço.

Fernando

Mais um jogo de bela qualidade, para um jogador definitivamente livre de amarras. Causou um par de desequilíbrios com arrancadas de trinta metros. O destaque, de qualquer forma, vai para a forma como continua a varrer todo o seu sector, com a precisão de um relógio suíço.

Bruno China

Regresso saudado ao futebol português, depois de uma aventura pouco feliz no Maiorca. Antiga referência no meio-campo defensivo do Leixões, repete a presença altiva na zona cerebral, agora com a camisola do Rio Ave. Voluntarioso e regular, sem oscilações de comportamento apesar da imponência do adversário.

João Tomás

Marcou pontos em entrevista ao Record/Antena 1, lamentando a falta de qualidade dos pontas-de-lança portugueses. Diz João Tomás que o cenário actual é tão mau que tem contribuído para a sua vontade em continuar. Apesar da veterania, fez um jogo interessante frente ao F.C. Porto. Contudo, paga pelos números. O Rio Ave ainda não marcou na Liga 2010/11. E isso fará sempre parte do seu leque de responsabilidades.

Belluschi

Nova demonstração de estabilidade acrescida, em termos exibicionais. Cresceu nesta segunda época de dragão ao peito e deixou a sua marca no jogo, sobretudo quando libertou Varela para a assistência que redundou no segundo golo de Hulk. Souza, Ruben Micael e companhia terão dificuldades na luta por um lugar ao centro.