José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting, explicou esta segunda-feira a venda de João Moutinho ao F.C. Porto por 11 milhões de euros, mais Nuno André Coelho. O dirigente apelidou várias vezes o antigo capitão de «maçã podre», lembrou que teve «zero propostas» pelo médio desde a recusa da venda ao Everton, e atirou que o mesmo «nunca acreditou no seu valor» e saiu pela «porta pequena».

O responsável revelou ainda que Moutinho se recusou a treinar, que «não sabia dignificar a bandeira que envergava e que representava não só no campo», e que, por isso, o Sporting está «feliz por vê-lo partir». Isto apesar do «alto rendimento» em campo nos últimos anos.

«Quando queremos reconstruir um grupo de trabalho, há três tipos de critérios que temos de seguir: o respeito pelo clube, o rendimento desportivo e o carácter. Não há grupo que se sinta vencedor se não cumprir estes fundamentos. Não pude deixar de me lembrar de Manuel Fernandes, o capitão da minha adolescência. A realidade do seu tempo acabou, mas o espírito que queremos mantém-se. Não posso deixar de revelar o nosso sentimento de tristeza pelo insistente desejo de partida manifestado pelo jogador, que se acentuou a partir de 2008, depois da recusa de venda ao Everton. Apesar de, nessa altura, terem sido revistas as suas condições, os pedidos de partida aconteceram muitas vezes de aí para cá e a não chamada à selecção também deverá ter contribuído para o aumento do desânimo e insatisfação do João», começou por dizer o dirigente.

Bettencourt sublinhou ainda que um «capitão de equipa que quer partir não tem condições para continuar a ser capitão». João Moutinho passou a não contar com o Sporting, e o Sporting não contava com João Moutinho, segundo o presidente, que continuou a explicar o enquadramento do negócio com o F.C. Porto: «A certa altura tentámos encontrar uma solução no mercado e o João foi acrescentando que mesmo que não fosse no estrangeiro não se importava em jogar no F.C. Porto e Benfica. Tentámos encontrar todas as soluções no mercado. O seu empresário Pini Zahavi teve uma reunião connosco no início da época e disse-nos, depois de ter sondado todo o mercado, que o máximo que se conseguia arranjar era uma proposta de sete milhões de euros. Já no regresso ao trabalho, o João insistiu que queria sair. Depois de receber de zero propostas por ele, a única oferta que apareceu foi a do F.C. Porto. Tivemos uma primeira reacção que foi tentar convencê-lo a esperar, mas ele, em vez de acreditar no seu valor, começou a forçar ainda mais, dizendo que tinha dado a palavra que ia para lá. O seu comportamento foi deplorável com o presidente, director e equipa técnica. Se não tivesse vivido esses acontecimentos, não acreditava que era possível descer tão baixo.»

O dirigente assinalou que não havia mais nada a fazer do que aceitar a proposta dos dragões: «Estando apenas sobre a mesa a proposta do F.C. Porto, tentámos alargar o leque de empresários em acção, não rejeitando a ideia de podermos aceitar menos, mas, mais uma vez, ninguém manifestou interesse. Tive uma reunião com Pinto da Costa, em que ele me disse que Moutinho só jogaria no F.C. Porto se o Sporting visse isso com bons olhos. E o negócio fez-se porque o Sporting quis, porque não quis uma maçã podre, alguém que não é exemplo. Estes últimos tempos não nos deixam saudades. Acredito que seja uma decisão difícil de entender, até eu tenho dificuldades. Mas foi um negócio leal e transparente, em que privilegiámos o espírito de grupo. Palavras como Nunca mais vou vestir a camisola do Sporting e Estou disponível para cooperar com a comunicação social e dizer que tudo fiz para sair do Sporting, a recusa em treinar... Tudo isto caiu muito mal. Esta é a última vez que falarei sobre o João Moutinho. Se o clube fosse meu, talvez admitisse deixá-lo aqui até 2014, com os castigos inerentes e colocando em causa a sua carreira, mas não é.»

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