A Federação quer atingir até 2036 o número de 400 mil praticantes federados. O que significa um aumento de 40 por cento relativamente aos 250 mil que existiam em 2025.
Mais do que isso, porém, ter 400 mil praticantes federados significa que, em 2036, um em cada dez portugueses com menos de 45 anos será atleta federado de futebol.
Isto porque - num país profundamente envelhecido e com uma idade média de 47 anos - cerca de 55 por cento da população tem mais de 45 anos (que será, mais ou menos, a idade limite para continuar a praticar futebol de competição federada).
Ora esta meta é uma das medidas do Plano Estratégico 2024-2036, apresentado pela Federação como mapa orientador de uma revolução estrutural em todo o futebol português.
Construído de base em parceria com a consultora EY, este plano estratégico para 12 anos promete transformar o futebol através de dez eixos estratégicos, da governação ao futebol feminino, da arbitragem ao Mundial 2030, cada um com medidas e indicadores de impacto próprios, pensados para permitir serem atingidos até 2036.
Mas já lá vamos.
Antes de mais interessa dizer que esta meta de atingir os 400 mil praticantes federados em 2036 faz parte do oitavo eixo estratégico - Da base às seleções de excelência -, o qual tem três objetivos muito claros, mensuráveis e... ambiciosos:
- Chegar aos 400 mil praticantes de futebol federados
- Atingir o primeiro lugar no Ranking Mundial da FIFA
- Vencer uma grande competição internacional (um Europeu ou um Mundial de futebol)
Cada um destes três objetivos, que são descritos como «indicadores de impacto», têm o prazo de dez anos, até 2036, mas dividido em várias fases intermédias.
- Até 2025 - 250 mil jogadores federados
- Até 2028 - 290 mil jogadores federados
- Até 2032 - 350 mil jogadores federados
- Até 2036 - 400 mil jogadores federados
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Criar uma universidade na Cidade do Futebol
Outro dos eixos estratégicos tem como objeto de trabalho a «Plataforma de Conhecimento e Inovação» do futebol português. E é nesta parte que entra uma das maiores ambições da Federação: criar uma Universidade de Futebol.
Esta Universidade de Futebol terá a primeira Licenciatura em Organização e Gestão do Futebol e será contruída na Cidade do Futebol. A Federação diz que o projeto será lançado ainda nesta época desportiva, embora o plano seja fundar a universidade até 2036.
Para além da já referida Licenciatura em Organização e Gestão do Futebol, pretende-se que a universidade ministre também cursos de especialização e outras formações, de capacitação para uma carreira no futebol, impulsionando ainda a investigação.
Para tornar o ensino mais justo, a Federação diz que vai criar polos de ensino em diversos pontos do país e estabelecer programas de intercâmbio com universidades internacionais.
Refira-se, por fim, que este eixo estratégico relativo ao conhecimento tem dois grandes indicadores de impacto, os quais têm prazo de implementação diferentes:
- Fundar a Universidade do Futebol, até 2036
- Realizar os primeiros Censos do Futebol Português, até 2028
Embora não seja um indicador de impacto, existe também o objetivo (não condicionado a uma métrica de desempenho) de tornar o Portugal Football Summit semestral e levá-lo para os mercados que a Federação definiu como prioritários: Estados Unidos, Arábia Saudita e País Lusófonos.
A intenção é utilizar este espaço de partilha de conhecimento, que é o Portugal Football Summit, como uma mola para entrar nos mercados definidos como prioritários.
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Fazer da FPF a quinta maior marca desportiva do mundo
O quinto eixo estratégico do plano é a «Projeção da marca FPF», que já hoje é um dos elementos mais valiosos da Federação. Nesse sentido, o Plano Estratégico estabelece como fundamental manter o estatuto de seleção mais seguida do mundo nas redes sociais.
Por outro lado, quer atingir até 2036 os 70 milhões de receitas em patrocínios e merchandising, estabelecendo um plano com quatro fases:
- 40,2 milhões de euros em receitas já em 2026
- 50 milhões em 2028
- 60 milhões em 2032
- 70 milhões de euros em receitas em 2036
Para o conseguir, e beneficiando da projeção que jogadores e treinadores portugueses têm no mundo, o Plano Estratégico fala em internacionalizar a marca FPF em mercados estratégicos, identificados pela Federação como prioritários, e que são basicamente três:
- Mercado dos Estados Unidos
- Mercado da Arábia Saudita
- Mercado dos países lusófonos
A ideia é fazer da FPF não só uma marca de futebol, mas também, e sobretudo, a grande marca de Portugal e de todos os portugueses, facilmente identificável e valorizada em todo o mundo.
A Federação fala até de tornar a marca FPF na quinta maior marca desportiva do mundo.
Para essa ambição ser possível, a Federação espera poder continuar a contar com Cristiano Ronaldo como parceiro e principal embaixador, mesmo após o final da carreira do capitão. Nesse sentido, decorrem já conversas sobre parcerias e outras formas de colaboração entre as duas marcas, para que Ronaldo continue a ser a mola de todo o crescimento comercial.
Mas há mais. Há, como quase sempre, três indicadores de impacto fundamentais, dois dos quais já foram referidos:
- Manter o estatuto de seleção mais seguida nas redes sociais
- Atingir 70 milhões de receitas em patrocínios, licenciamento e merchandising
- Aumentar até 2036 o número de adeptos registados no programa Portugal+ para quatro milhões (atualmente são cerca de 500 mil)
Para além disso, fala-se em novas fontes de receita, através por exemplo da venda internacional do arquivo do Canal 11 em OTT, ou da criação de novas audiências e formas de engagement por meio de parcerias com streamers e gamers.
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Federação quer triplicar o número de árbitros
Outro dos eixos estratégicos é apelidado de «Revolução na arbitragem», o qual tem o objetivo de triplicar o número de árbitros. Ou seja, em 2025 havia 4.442 árbitros, em 2036 a Federação quer que sejam 13 mil árbitros.
Mais uma vez, há metas intermédias para chegar a este ambicioso número. Desta forma, e dos 4.442 árbitros em 2025, a Federação quer passar para 6 mil árbitros em 2028 e para 10 mil árbitros em 2032. Para então, sim, dar o salto para os tais 13 mil árbitros em 2036.
E como é que isto é possível?
Pois bem, a Federação diz que é essencial, antes de mais, afirmar o profissionalismo da arbitragem, através de um Plano Nacional de Arbitragem, que valorize a carreira. É preciso depois recrutar e reter mais talento - através de ações de recrutamento, protocolos com escolas e universidades -, critérios mais modernos de progressão na carreira, mais apoio psicológico e mais tecnologia de ponta no apoio à função.
No fundo, a FPF diz que é uma revolução na arbitragem, para modernizar a gestão do setor, reforçar a segurança, aumentar a qualidade e valorizar a carreira.
Mais uma vez, este eixo relativo à revolução na arbitragem tem três setores, incluindo o que aqui já se falou. São eles.
- Criar uma Entidade Externa Profissional da Arbitragem
- Garantir a presença de pelo menos um membro profissional em cada Conselho de Arbitragem de cada Associação Distrital de Futebol
- Triplicar o número de árbitros para 13 mil em 2036
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Profissionalizar todas as equipas da Liga Feminina
A nível de futebol feminino a aposta também é ambiciosa e a Federação quer, em dez anos, praticamente triplicar o número de praticantes. De 21 mil jogadoras em 2025, o Plano Estratégico quer passar para 27 mil em 2028, 40 mil em 2032 e por fim 60 mil jogadoras em 2026. O que significa, lá está, quase o triplo do que acontece agora.
Para alcançar estes números, a Federação quer criar uma versão feminina do Torneio Lopes da Silva (para menores de quinze anos), como forma de recrutar talento. Quer também criar um Departamento de Futebol Feminino e quer lançar mecanismos de solidariedade para os clubes que coloquem equipas na Liga feminina.
Mas há mais. A profissionalização é a pedra de toque do crescimento do futebol feminino, pelo que o Plano Estratégico fala numa Liga feminina em que todas as equipas sejam profissionais (atualmente só quatro o são). A ideia é aumentar para seis equipas profissionais em 2028, oito em 2030 e dez em 2032.
Desta forma, há três indicadores de impacto para o futebol feminino:
- Profissionalizar a Liga de Futebol feminino e integrá-la numa estrutura profissional para a sua gestão
- Aumentar para 60 mil o número de praticantes federadas até 2036
- Profissionalizar todas as dez equipas da Liga Feminina
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Mundial 2030 como alavanca de todas as ambições
O sétimo eixo do Plano Estratégico não é só mais um: é fundamental, garante a Federação, como alavanca de todo o programa para revolucionar o futebol durante a próxima década.
Trata-se do eixo estratégico «Mundial 2030», através do qual a FPF diz querer modernizar infraestruturas, formar novos quadros, criar programas de qualificação, introduzir soluções tecnológicas e criar experiências imersivas que, dizem, redefinirão a experiência do adepto.
No fim de contas, diz a Federação que o Mundial 2030, que Portugal organiza com Espanha e Marrocos, vai ser uma plataforma de inovação e o grande motor de desenvolvimento do Plano Estratégico. Há três indicadores de impacto, todos eles menos importantes estruturalmente:
- Certificar o Mundial 2030 como um evento sustentável (até 2030)
- Assegurar a viabilidade económica do evento (até 2030)
- Ser reconhecido pela FIFA com uma avaliação de excelência na organização de um Mundial (até 2032)
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166 medidas para inspirar o futebol e o mundo
No total, e ao longo destes 12 anos, num processo que começou em 2024, a Federação diz que vai implementar 166 medidas. Para além do que já foi dito atrás, interessa sublinhar a reformulação dos quadros competitivos, a remodelação das meias-finais da Taça de Portugal, a diminuição os custos de contexto (revisão fiscal e alteração da Lei dos Seguros) e a criação de pelo menos uma academia em cada distrito do país.
A gestão do futebol lidera a lista de medidas a implementar, com um total de 72, seguido pelas seleções nacional (60 medidas) e a arbitragem (50 medidas).
A ambição, explica a FPF, é tornar Portugal na nação do futebol, capaz de inspirar o mundo pela capacidade de utilizar o futebol como motor do desenvolvimento social.
Demasiado ambicioso? Provavelmente.
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Os dez eixos do Plano Estratégico 2024-2036
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NOVA ERA DE GOVERNAÇÃO
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Implementar o novo modelo de governação da FPF | Até 2025 |
| Obter certificações de Gestão Anticorrupção, Qualidade e Segurança da Informação | Até 2026 |
| Refomular o protocolo com as Associação Distritais | Até 2026 |
| Renegociar o protocolo com a Liga Portugal | Até 2028 |
| Reformular o protocolo com as Associações de Classe | Até 2028 |
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REVOLUÇÃO NA ARBITRAGEM
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Criar a Entidade Externa Profissional da Arbitragem | Até 2028 |
| Garantir a presença de, pelo menos, um membro profissional do Conselho de Arbitragem de cada Associação Distrital | Até 2028 |
| Triplicar o número de árbitros (de 4 mil em 2025 para 13 mil em 2036) | Até 2036 |
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REFORMA DA DISCIPLINA E JUSTIÇA
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Apresentar a proposta de alteração do modelo de justiça desportiva | Até 2028 |
| Estabelecer métricas de avaliação da solidez das decisões disciplinares sancionatórias | Até 2028 |
| Reduzir para metade o tempo médio de decisão dos processos da secção profissional e da secção não profissional | Até 2036 |
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SUSTENTABILIDADE E COMPETITIVIDADE NO FUTEBOL
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Aumentar o apoio ao futebol não profissional através da implementação de um novo modelo de financiamento | Até 2028 |
| Apresentar proposta de alteração dos quadros competitivos | Até 2028 |
| Apresentar junto do Governo uma proposta de redução dos custos de contexto de âmbito fiscal | Até 2028 |
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PROJEÇÃO DA MARCA FPF
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Manter o estatuto de seleção nacional mais seguida do mundo nas redes sociais | Entre 2024 e 2036 |
| Aumentar o número de adeptos registados no programa Portugal+ para quatro milhões (de 531 mil em 2025 para 4 milhões em 2036) | Até 2036 |
| Atingir os 70 milhões de receitas em patrocínios, licenciamento e merchandising (de 40 milhões em 2026 para 70 milhões em 2026) | Até 2036 |
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PLATAFORMA DE CONHECIMENTO E INOVAÇÃO
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Realizar os primeiros censos do futebol português | Até 2028 |
| Fundar a Universidade do Futebol | Até 2036 |
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MUNDIAL 2030
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Certificar o Mundial 2030 como um evento sustentável | Até 2030 |
| Assegurar a viabilidade económica do evento | Até 2030 |
| Ser reconhecido pela FIFA com uma avaliação de excelência na organização do Mundial |
Até 2032 |
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DA BASE ÀS SELEÇÕES DE EXCELÊNCIA
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Atingir o primeiro lugar do Ranking Mundial de futebol da FIFA | Até 2036 |
| Vencer uma competição internacional de futebol sénior masculino (Europeu ou Mundial) | Até 2036 |
| Atingir 400 mil praticantes federados (de 250 mil em 2024 para 400 mil em 2036) | Até 2026 |
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AFIMAÇÃO DO FUTEBOL FEMININO
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Profissionalizar a Liga de Futebol feminino, assegurando a sua integração numa estrutura profissional dedicada à sua gestão | Até 2036 |
| Atingir as 60 mil praticantes federadas femininas (passar de 21 mil em 2025 para 60 mil para 2036) | Até 2036 |
| Profissionalizar todas as equipas da Liga de Futebol feminino | Até 2026 |
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UMA FEDERAÇÃO AO SERVIÇO DA COMUNIDADE
| INDICADOR DE IMPACTO | PRAZO DE EXECUÇÃO |
| Criar a Fundação FPF | Até 2025 |
| Ter todas as Associações Distritais e Associações de Classe com uma estratégia de responsabilidade social e ambiental definida | Até 2028 |
| Realizar pelo menos um projeto de responsabilidade social e ambiental transformacional para as Associações Distritais e para as Associações de Classe, em cada ciclo estratégico. | Até 2026 |