Mas não foi o único a sentir o referido gozo. Pela televisão, Daúto Faquirá acompanhou o jogo e sentiu a mesma emoção. O treinador foi o responsável pelo lançamento dos dois jovens no futebol português: Fernando no E. Amadora e Cissokho no V. Setúbal. «Criou em mim um natural sentido de orgulho», referiu ao Maisfutebol.

Apesar disso não ficou propriamente surpreendido. Faquirá tinha a certeza que ambos iam dar boa conta de si. «São pessoas humildes, simples, até um bocadinho tímidas, mas transcendem-se dentro quando estão em competição. Dentro do jogo tornam-se muito fortes», garante. «Iria até mais longe, são dois animas de competição».

«Fernando tem sangue frio, Cissokho quer sempre aprender mais»

A forma como gostam de viver a competição é a parte que os une. Separa-os a maneira como exteriorizam a capacidade de se transcender. São iguais no conteúdo e diferentes na forma. «O Fernando acabara de chegar do Brasil. Tinha 20 anos, integrou-se plenamente e fez uma grande época. É um miúdo com enorme sangue frio e confiança».

Faquirá conta até um episódio curioso. «Num jogo em Braga, que estávamos a perder por 0-1, o Rui Pedro sofreu um penalty no último minuto. O Mateus era o marcador oficial, mas já não estava em campo. Então mandei o Fernando marcar. Conhecia-o, sabia que tinha sangue frio e que se transcendia nos momentos mais difíceis», conta.

Fernando marcou mesmo o penalty no último minuto, que na altura valeu um preciso ponto ao E. Amadora. «O Maurício era o segundo marcador de penalties, era um jogador experiente e ficou chateado. Mas o Fernando pegou na bola, marcou o penalty com muita calma e muito tranquilidade. Tem uma mentalidade competitiva enorme.»

Já Cissokho distingue-se pela capacidade de trabalho. «Veio das divisões secundárias de França, mas mostrou sempre muita vontade de aprender. Enfrentava os treinos com um empenho enorme, queria evoluir, esforçava-se muito por aprender português e absorver toda a informação que lhe passavam. É um jovem muito ambicioso e competitivo.»

«Muito mérito de Jesualdo Ferreira»

Daúto Faquirá diz, de resto, que «há muito mérito de Jesualdo Ferreira» na evolução dos dois jovens. «Ninguém melhor do que Jesualdo sabe as etapas que eles têm de queimar e quando o devem fazer. Há todo o mérito dele pela aposta e pela forma como foi feita. Estão a trabalhar e a competir a um nível superior, o que os vai fazer evoluir.»

Da parte dele, diz que é difícil quantificar a contribuição para a evolução de ambos. «Quando os conheci estavam numa fase embrionária. O que fiz foi integrá-los no futebol português, dar-lhes algumas noções técnico-tácticas. Mas tudo o que conseguiram foi por mérito deles. Por isso sei que o crescimento vai ter continuidade.»