«Não tenho dúvidas e sei que eles aceitam isto: o André André tem capacidades superiores às do pai, o André».

A afirmação é de Dito, ex-treinador do mais novo dos Andrés no Varzim e ex-colega de equipa do antigo trinco no FC Porto. «Sou muito amigo dos dois e sei que eles aceitam esta opinião. Aliás, sei que o André pai concorda comigo».

A conversa começa assim porque André André é a Figura da Jornada 9 da Liga para o Maisfutebol. O médio, de 25 anos, encheu o campo na esclarecedora vitória sobre o Sporting e confirmou todos os elogios recentes.

ANDRÉ ANDRÉ: o destaque no Vitória Guimarães-Sporting

Para Dito, uma das pessoas que melhor conhece todas as suas facetas, nada disto é surpreendente ou inesperado.

«O pai do André André era um número seis de grande qualidade. De nível internacional. Mas o filho faz qualquer posição do meio-campo com esse nível, ou ainda superior. Joga sempre no limite, é muito exigente consigo mesmo. Nisso é uma cópia perfeita do pai», continua Dito.

No Varzim versão 2011/12, imediatamente antes do salto para Guimarães, André André era o capitão e «líder incontestado» dentro e fora do relvado. E agora?

«Cresceu, obviamente, mas mantém as mesmas características essenciais: é extremamente inteligente e interpreta como ninguém cada momento do jogo», responde Dito, antes de dar mais alguns pormenores.

«Quando o conheci parecia-me frágil fisicamente, às vezes até parecia que ia quebrar dentro do jogo, mas depois vai sempre buscar uma reserva de energia. É um ganhador», resume o antigo técnico de André André.

Dito recorda «um homem íntegro, à imagem do pai» e um jogador «ambicioso». «Falo muito com ele e sei que tem o objetivo de chegar ao patamar mais alto do futebol: um clube ainda maior e à Seleção Nacional. Está preparadíssimo para isso».

FC Porto: ao terceiro treino já era capitão

André André nasce em 1989, dois anos depois de o pai ter sido campeão da Europa, em Viena. O Maisfutebol faz uma visita a esta família, sempre muito discreta e reservada, para descobrir um pouco mais sobre o homem do momento no Vitória Guimarães e na Liga portuguesa.

O futebol a sério começa, para ele, aos oito anos. No Varzim, pois claro. Menino de ideias fixas e convicções fortes, só aos 18 anos aceita mudar de ares e experimentar uma nova aventura.

Faz no FC Porto o segundo ano de juniores (por empréstimo do Varzim) e convence, desde o primeiro dia, o treinador Patrick Greveraars.

FICHA INDIVIDUAL DE ANDRÉ ANDRÉ

«No terceiro treino, o mister chamou toda a gente e disse: o capitão é o André Pinto [agora no Sp. Braga] e o sub-capitão é o André André», conta ao nosso jornal um colega desses dias, que nos pede anonimato.

«Ficou toda a gente a olhar para ele, de cara feia. O rapaz vinha de fora, tinha acabado de chegar e já ia ter a braçadeira? A reação dele foi fantástica. Disse-nos, a rir, que a culpa não era dele e pôs-nos a rir. Conquistou-nos logo ali».

A temporada de dragão ao peito - «sempre longe da influência do pai» - corre muito bem, exceção feita a uma lesão que lhe rouba «cinco ou seis jogos».

No final da época, o FC Porto não exerce o direito de opção. O técnico Patrick Greveraars chama-o para uma conversa em privado e anuncia-lhe isso mesmo: «sei que o treinador o adorava. Disse-lhe que ele era um excelente jogador, mas que lhe faltava alguma visão de jogo».

Uma ideia não partilhada por Dito. «Há oito anos, quando isso sucedeu, ainda não conhecia. Mas comigo sempre demonstrou, precisamente, essa visão e clarividência no meio-campo. Tudo isso aliado a uma intensidade de jogo anormal».

Deportivo: derrotas e sorrisos no balneário? Não, obrigado

Em 2010, André André volta a abandonar a Póvoa. Mas por poucos meses. Ruma à Corunha carregado de sonhos e volta totalmente desiludido.

«Nunca mais me esqueço do que me disse», confidencia Dito. «Fui ter com ele e questionei-o: estavas num clube bom e vieste para a IIB? Porquê? Ele foi claro: mister, perdíamos jogos atrás de jogos, na equipa B do Deportivo, e eu só via gente às gargalhadas no balneário. Para mim isso não dá».

André é assim, detesta a derrota, abomina o conformismo. E prefere o recato às manchetes. Mantém os amigos de sempre, a confiança familiar e as conversas até altas horas com dois colegas especiais: Luís Neto (Zenit) e Yazalde (FK Qabala).

André André tem 25 anos. O pai, António André, transferiu-se do Varzim para o FC Porto com 26, a tempo de fazer 11 temporadas no Estádio das Antas.