O Chelsea perdeu, a Juventus empatou, escorregadelas de líderes que não devem passar disso num fim de semana de futebol internacional com muito que contar. Consagrou o primeiro campeão da época, com a vitória do Celtic na Escócia, viu o PSG ganhar ao Mónaco a Taça da Liga, o primeiro título da época no futebol francês. E teve clássicos e recordes, com a época a acelerar. A meio da semana há mais, com jornadas em Inglaterra, Espanha e Alemanha.

Comecemos pela jornada de Inglaterra, que deu ainda mais do que prometeu. E já era tanto. Antes de mais, claro, a derrota do líder Chelsea em casa, frente ao Crystal Palace, num jogo em que Fabregas até colocou os «Blues» em vantagem logo aos cinco minutos. Mas o Palace de Sam Allardyce, o homem que começou a época a ser despedido de selecionador da Inglaterra e chegou ao clube londrino em dezembro, deu a volta. Já agora, com um recorde de caminho para Big Sam.

Ao mesmo tempo o Tottenham vencia e reduzia para sete pontos a distância para a frente, com um golo de Eric Dier a ajudar. Foi um grãozinho na caminhada do Chelsea para o título, ou será mais que isso? O próprio Allardyce acredita que foi ganhar a casa do futuro campeão. «É muito bom vir buscar três pontos a casa do campeão, ou de quem eu acho que vai ser campeão. A Premier League é isto. Pode haver um resultado-choque em qualquer lado.»

A Premier League também é o campeonato que, na mesma jornada, tem dérbi de Merseyside e ainda um Arsenal-Manchester City. O primeiro ganho pelo Liverpool, 3-1 ao Everton. Os «reds» foram um dos vencedores da ronda, já são terceiros, à frente do Manchester City.

A equipa de Pep Guardiola esteve por duas vezes na frente mas só levou um ponto do Emirates, num jogo que voltou a ser antecedido de contestação dos adeptos do Arsenal a Arséne Wenger.

O City marcou primeiro, Sané logo aos 5m, mas um final de primeira parte louco baralhou tudo: Walcott empatou, Aguero voltou a pôr o City na frente. E depois Mustafi empatou. E apesar da meia-reviravolta, o facto é que o Arsenal continua em queda, sexto agora e apenas um ponto acima do Everton e do primeiro lugar fora da zona europeia.

Não está muito melhor o Manchester United de José Mourinho, que voltou a marcar passo em casa, frente ao WBA. Dois empates nos últimos três jogos, ainda que numa partida em que não teve muitos jogadores importantes, arrefeceram o entusiasmo que o português tinha conseguido começar a recuperar em Old Trafford.

Mas há um treinador português a sorrir em Inglaterra. É Marco Silva, que voltou a ganhar, agora frente ao West Ham, antes de ver o Swansea, a primeira equipa acima da linha de água, empatar e ficar a apenas um ponto de distância.

Começa a parecer possível o Hull fugir ao que parecia o destino traçado quando chegou Marco, que de caminho aumentou um notável registo pessoal: não perde um jogo de campeonato em casa há 39 jogos.

Em França, a final de Lyon foi uma demonstração de força do PSG, uma equipa recheada de qualidade a fazer uma época abaixo do que devia e ferida pelo adeus cruel à Liga dos Campeões frente ao Barcelona. Fez contar tudo o que vale na decisão frente a um Mónaco brilhante esta temporada, mas com uma equipa muito jovem.

Foi por aí que seguiu Leonardo Jardim depois do jogo, ao lembrar que o Mónaco não jogava uma final há sete anos e que a derrota serve de experiência para o que aí vem. E é muito, já a meio da semana um jogo de Taça de França, depois mais uma ronda de um campeonato que lidera a defender uma vantagem de três pontos sobre o PSG, a seguir a eliminatória dos quartos de final da Liga dos Campeões com o Borussia Dortmund. Para já.

O guarda-redes Subasic, um dos poucos veteranos do plantel, também reforça essa ideia, mudando o foco para o campeonato: «Esta experiência vai servir-nos para as oito finais que faltam.» Em que medida esta derrota pesada vai afetar de facto a reta final da época do Mónaco, as próximas semanas dirão.

Enquanto o duo da frente decidia a Taça da Liga, a jornada de França seguiu com o Nice a vencer o Bordéus e a manter-se na luta, a apenas um ponto do PSG. E com mais uma vitória para o Nantes de Sérgio Conceição, a fazer uma recuperação notável desde que chegou. Agora venceu o Angers e já é nono, a seis pontos da zona Europa! Em queda livre está em contrapartida o Bastia, treinado por outro português, Rui Almeida, que perdeu com o Lille de Éder e Ronny, não vence um jogo desde dezembro e afunda-se no último lugar, quatro pontos abaixo da linha de água.

Em Espanha, a ronda acabou com o equilíbrio de forças intacto. O At. Madrid começou por dar o tom no sábado, ao vencer o Málaga, a abrir o domingo até o Sevilha se manteve coerente à tendência de quebra, ficou-se por um nulo em casa frente ao Sp. Gijón e já caiu para quarto.

O Real Madrid defendeu a liderança frente ao Alavés sem sobressaltos. 3-0, uma assistência de Cristiano Ronaldo e um golo de Nacho a fechar. O que elevou para 19 o número de jogadores «merengues» que já marcaram esta época, uma capacidade goleadora bem para lá da BBC. Coentrão é um dos únicos dois jogadores de campo que ainda não marcaram.

Pelo meio jogou o Valencia, num duelo com o Deportivo entre duas equipas instáveis que viu Diego Alves aumentar os seus incríveis números na hora de defender penáltis.

E terminou com o português João Cancelo a marcar mas a ficar em maus lençóis, depois de um gesto dirigido aos adeptos.

A fechar a noite o Barcelona demorou a engatar na visita ao Granada, sem o castigado Messi e com André Gomes no onze, mas acabou a golear. Neymar fechou as contas do 4-1, com aquele que foi o seu golo 100 pelo Barça.

Portanto, tudo igual na frente, o Real com um ponto de vantagem e menos um jogo. E o At. Madrid agora em terceiro, com os mesmos pontos do Sevilha.

Em Itália foi ronda de clássico. E o regresso de Gonzalo Higuaín a Nápoles não passou despercebido.

Em campo, Khedira adiantou a Juve logo aos sete minutos mas o capitão Hamsik igualou para o Nápoles. Contas feitas, a Juve perde terreno para a Roma, que venceu o Empoli com o português Mário Rui a titular, mas ainda são seis pontos à melhor. Quanto ao Nápoles, está a 10 pontos da «Vecchia Signora».

Na Alemanha também era jornada de duelo de vizinhos. E o dérbi do Ruhr entre Schalke e Borussia Dortmund acabou por ser dos jogo mais comedidos de uma ronda cheia de golos. Apesar de ter marcado primeiro, golo de Aubameyang, o Dortmund acabou por ceder um empate que lhe custou o terceiro lugar. Está lá agora o Hoffenheim, a quatro pontos do Leipzig, que despachou o lanterna vermelha Darmstadt com uma goleada por 4-0.

Naquele outro campeonato onde está sozinho, o Bayern Munique aplicou chapa 6 ao Augsburgo, com um hat-trick de Lewandowski pelo meio. São já 13 os pontos de vantagem dos bávaros na frente.