Gritos de golos e gritos de dor em Madrid, uma liga inteira aos berros em Málaga. Conte com uma equipa que não desarma até final e um Manchester United para o título longe de Old Trafford. Der Klassiker a apontar diferenças entre presente e futuro e a louca perseguição em França..

Na antecâmara da Liga dos Campeões, o fim de semana no futebol internacional trouxe grandes emoções. Nos jogos de maior cartaz, como o dérbi de Madrid, ou o Everton-Leicester. Aqui ficam as principais causas e consequências do fim de semana.

Pepe: «É especial porque é a despedida para ele»

No dérbi de Madrid não se jogava apenas o resultado da rivalidade entre Real e Atlético. Jogava-se a possibilidade de o Barcelona encostar no líder e rival maior. Jogava-se orgulho dos dois lados e desde que Simeone lidera os colchoneros que o encontro deixou de ser uma certeza para os merengues.

A semana que antecedeu o jogo do Bernabéu trouxe notícias da possibilidade de atleticanos mudarem-se para Chamartín e até em França Griezmann fez manchete por essa hipótese. O francês viria a fazer o empate final, depois de Pepe ter colocado o Real em vantagem.

O internacional português gritou o golo e a seguir gritou de dores: Tony Kroos, colega de equipa, partiu-lhe duas costelas. Isso não impediu Pepe de estar, neste domingo, na Peña Ramon Mendoza com o presidente Florentino Pérez e outros históricos do clube, como Raul ou Michel. Mas foi Nacho, um canterano, que lhe apontou o futuro: «É especial porque é um ato de despedida para o Pepe. Agradeço tudo o que aprendi com ele.»

Já todo o Real Madrid agradeceu ao Málaga.

Uma exibição estranhamente pobre, com polémica à mistura, atirou o Barça para uma derrota no La Rosaleda e que pode retirar Neymar do clássico de dia 23. O brasileiro foi expulso, o primeiro cartão vermelho do Barça em 59 jornadas em Espanha.

Os culés foram da grande esperança à tremenda desilusão.

Mourinho: o problema tem nome

O Chelsea não desarma e continua firme na liderança da Premier League. A equipa de Conte bateu o Bournemouth, manteve o Tottenham a sete pontos e, assim, a luta mais renhida está na corrida aos lugares de Champions.

José Mourinho está nela. O Manchester United bateu o Sunderland, que é último, e confirmou que o problema tem estado em Old Trafford. O Chelsea é a melhor equipa fora de casa, com 36 pontos em 16 jogos; o United tem 30 pontos em 14 partidas. Ou seja, longe do lar, o United luta pelo título; em casa, pelo meio da tabela. Um problema partilhado com o vizinho Manchester City.

Com o Sunderland, Zlatan Ibrahimovic abriu o marcador. O sueco já marcou em 21 partidas pelo clube e a confirmar a tendência do United, fez o nono nos últimos oito jogos longe de Old Trafford.

As grandes emoções de domingo estavam reservadas para o Everton-Leicester. Um encontro com seis golos e que significou a 42ª reviravolta na Premier League 2016/17.

Guerreiro tem tiro certeiro, Bayern uma metralhadora

De um lado, um grupo de jogadores que na média dos onze tinham 30,1 anos; do outro, de amarelo e preto, apenas 24,8. O futuro até pode vir a ser do Borussia Dortmund, mas o presente é todo do Bayern Munique.

Os bávaros somaram o 30º jogo em casa sem perder. Que vale o mesmo que dizer que não perdem desde 2 de março de 2016 (com o Mainz). No Der Klassiker, o internacional português Raphael Guerreiro disparou um tiro certeiro à baliza de Sven Ulreich, mas o Bayern é uma metralhadora e marcou quatro ao rival.

Ribéry igualou os 110 golos de Uli Hoeness no clube e Robben apontou o 10º golo ao Dortmund, o clube que, em igualdade com o Hamburgo, mais sofre com o holandês.

Os outros golos foram para o inevitável Lewandowski, que passou Aubameyang nos goleadores da Bundesliga e está na corrida à Bota de Ouro com Messi e o sportinguista Bas Dost.

No fundo da tabela também houve confronto de grande importância. O Ingolstadt recebeu e venceu por 3-2 o Darmstadt, que é último. Pode, matematicamente, descer daqui a duas jornadas, ou seja, a cinco partidas do final da Bundesliga.

Gonzalo Higuaín: não havia como ele desde 1957/58

A «namorada de Itália» continua bela e a desfilar vitórias na Serie A. Com mais um triunfo em casa, a Juventus permanece com seis pontos de vantagem da Roma. Os bianconeri receberam o Chievo e com dois golos de Gonzalo Higuaín fizeram o pleno: 16 partidas em casa, 16 triunfos.

Já o argentino alcançou os 20 golos. O que, em temporada de estreia pelo emblema de Turim, ninguém fazia desde Charles e Sivori, em 1957/58.

Em Génova houve golo português. Bruno Fernandes foi o futebolista mais rápido da Sampdoria a marcar esta época, na Serie A. O internacional sub-21 marcou aos cinco minutos do encontro com a Fiorentina, de Paulo Sousa.

No entanto, o capocannoniere é Andre Belotti. O avançado do Torino apontou mais um golo e pela décima vez marcou de cabeça. Nos grandes campeonatos, ninguém marca como ele dessa maneira.

Garras do Tigre seguram liderança

Em França, o resultado mais surpreendente foi aquele que o Lorient, que era último, conseguiu no terreno do Lyon: um triunfo por 4-1 e com reviravolta!  

O foco tem de estar, porém, na corrida em que se tornou a Ligue 1. Uma perseguição tremenda do campeão PSG ao líder Monaco. A formação do principado sofreu muito para bater o Angers, fora de portas, mas as garras de um renascido Tigre agarraram o Monaco de Jardim, Moutinho e Bernardo à liderança. 

Isto porque o PSG continua de prego a fundo também e quem melhor do que Di María para carregar no pedal: o argentino abriu o marcador no Parque dos Princípes, na segunda parte com o Guingamp. Cavani aumentou logo de seguida e o Paris continua a surgir bem perto no retrovisor monegasco.