Durante a conferência de imprensa na Cidade do Futebol, na qual analisou o arranque da época na perspetiva do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Duarte Gomes enalteceu as atitudes de Fábio Veríssimo e Gustavo Correia, árbitros que escreveram o relatório do FC Porto-Sp. Braga e do Benfica-Casa Pia, respetivamente.

«O que sentimos quando os nossos árbitros dizem a sua verdade no relatório é orgulho. Mas também sentido de cumprimento de missão. Os árbitros estão obrigados a colocarem, nos seus relatórios, tudo o que acontece em termos desportivos e extradesportivos, nomeadamente questões relacionadas com incidentes antes, no intervalo ou após o jogo. Quando o Fábio [Veríssimo], o Gustavo [Correia], ou qualquer outro árbitro coloca no relatório aquilo que presenciou, sentimos que cumpriu a sua missão e o seu dever. Também sentimos que essas indicações saem da esfera da arbitragem para irem para a esfera disciplinar, que tem a mesma autonomia que nós temos. A justiça tem os seus prazos e fará seguramente prevalecer a verdade», referiu o Diretor Técnico para a Arbitragem na manhã desta quarta-feira.

Nesta linha, o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF exigiu respeito.

«Os árbitros fizeram as suas obrigações nos dois casos. Mencionaram no relatório e passaram para as entidades competentes, confiamos totalmente no Conselho de Disciplina. Naturalmente, nenhuma das situações deveria acontecer. Isso será consensual. Não é apenas e só pela questão do árbitro em si, do ambiente, é por aquilo que é uma imagem que passa para o futebol no seu todo. Não é esse futebol que queremos. Lutamos por um futebol positivo, que seja vendável, que seja visto lá fora como fantástico, com os melhores árbitros, jogadores e treinadores do mundo. Mas, depois, temos estes episódios que não deviam acontecer. Da parte da arbitragem, foi feito o que deveria ter sido feito», disse Luciano Gonçalves.

«Claramente que qualquer uma destas situações tem objetivos de criar pressão no árbitro, no jogo, na arbitragem no seu todo. Mas os árbitros são treinados e preparados para lidarem com a pressão do futebol profissional. O CA dá-lhes suporte para que estejam tranquilos. Aqui ninguém rebenta ninguém. Ninguém irá rebentar com nenhum árbitro. O árbitro, se descer de divisão, irá descer por resultados menos positivos, porque teve uma época menos positiva, e jamais por interferência de quem quer que seja. Infelizmente, algumas das ações que se passaram nesses dois exemplos estão a ir buscar o que de pior tivemos há alguns anos. E não é isso que queremos, de todo. Esperamos que tenham sido casos isolados. (...) Tivemos confirmação por parte dos árbitros que nunca tinha existido nenhuma situação similar», rematou.