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Juan Ortiz, capitão da «equipa mais forte», salienta as mudanças que o futebol americano tem vivido no nosso país. «É um desporto que se está a desenvolver nesta área da Europa. A NFL trouxe o profissionalismo a esta zona e fez nascer muitas equipas em França e Espanha. A Portugal não chegou tão forte, mas já se vêem algumas equipas a apostar neste desporto», destacou Ortiz, antes da avaliação ao plantel que comanda.

«Os Navigators são uma equipa de segunda ou terceira divisão, se estivéssemos a falar de futebol de bola [risos]. Estamos no segundo ano, mas a dar uma boa luta às equipas que já têm dez, doze anos a jogar. Cada vitória para nós conta muito mais. Por exemplo, ganhámos aos bicampeões de Espanha. Para quem está no segundo ano, é fantástico. Ter chegado já ao ponto onde nos encontramos, é mesmo muito bom. Jogar a este nível requer muito esforço, muito trabalho, mas vale a pena.»

Também Daniel Correia, fundador dos Porto Renegades, reconhece as fragilidades de quem está a dar os primeiros passos. «Comparativamente às equipas espanholas, estamos a um nível médio, razoável. No entanto, temos poucos jogadores. É o que nos tem dificultado a vida. Neste momento, temos apenas 20 jogadores, o que é muito pouco para este desporto», lamenta o presidente do clube portuense.

Os horizontes, motivados pelas (faltas de) condições, estão limitados à formação e a um crescimento sustentado. «A nossa ideia dos próximos tempos é, essencialmente, recrutar, conseguir atrair mais gente. Depois, continuar a jogar e a crescer. Estamos a preparar a próxima época, queremos arrancar com um torneio nosso, já habitual, e começámos agora com uma equipa de juniores.»

SOS Público

O melhor contributo para o crescimento da modalidade seria o elemento imprescindível de qualquer desporto: o público. No domingo, não seriam mais de 50 os adeptos (familiares) na bancada. Daniel Correia entende a falta de fãs, «até pela pouca visibilidade e divulgação» do futebol americano em Portugal e Juan Ortíz alinha no mesmo discurso. «Em média, cada equipa tem 30 a 35 jogadores. Vai a família, vão os amigos, os colegas, conseguimos ter [em casa] sempre 100 ou 200 pessoas. Mas é pouco, mesmo nos bons jogos.»

A solução passa, também, por mais divulgação. «Os meios de comunicação podiam ajudar-nos. Se as televisões ou os jornais nos dessem espaço, as pessoas ficavam a conhecer e podiam interessar-se. Provavelmente, ficariam curiosas de ver os jogos, mas o futebol americano não tem espaço nos media portugueses. Para nós era importante, aliás, era essencial», concluiu o capitão dos Navigators.