Aaron Ramsey anunciou o fim da carreira de futebolista profissional, aos 35 anos, encerrando um percurso marcado por talento, resiliência e episódios que o tornaram uma figura singular dentro e fora de campo. Sem clube desde a saída dos mexicanos do Pumas UNAM, o internacional galês prepara agora a transição para a carreira de treinador, segundo a imprensa britânica.
Capitão do País de Gales, Ramsey despede-se como um dos maiores nomes da história da seleção, com 21 golos em 86 jogos e presença em três grandes competições. Foi decisivo na caminhada até às meias-finais do Euro 2016, integrando o melhor onze da prova, além de ter participado no Euro 2020 e no Mundial 2022.
A nível de clubes, destacou-se sobretudo no Arsenal, onde conquistou três Taças de Inglaterra e marcou em duas finais, num percurso também marcado por uma grave lesão em 2010 que quase travou a carreira.
O médio começou a carreira no Cardiff City antes de seguir para o Arsenal, pelo qual disputou 369 jogos, marcou 64 golos e distribuiu 60 assistências, tendo conquistado três Taças de Inglaterra, embora a sua passagem pelos ‘gunners’ tenha sido marcada por lesões e problemas físicos.
Isso não o impediu de estar 11 anos no Arsenal antes de rumar para a Juventus, em que passou duas temporadas e ganhou uma Serie A e uma Taça de Itália. Mais tarde, esteve emprestado aos escoceses do Rangers, tendo alcançado uma final da Liga Europa, e ao Nice. Posteriormente, retornou ao Cardiff e representou o Pumas, pelo qual realizou o último encontro em 28 de setembro do ano passado.
Na mensagem de despedida, o médio deixou um tom emotivo e de gratidão, começando precisamente pela seleção.
«Foi um privilégio vestir a camisola do País de Gales e viver momentos incríveis. Nada disto teria sido possível sem os treinadores e todas as equipas técnicas que me ajudaram ao longo do caminho», começou por escrever no Instagram. Numa nota mais pessoal, agradeceu também à família. «Sem a minha mulher, os meus filhos e todos os que estiveram ao meu lado, nada disto teria sido possível», acrescentou.
Para lá do futebol, Ramsey ficou também associado a um fenómeno insólito que alimentou teorias nas redes sociais durante anos: a chamada «maldição de Aaron Ramsey». Sempre que o médio marcava um golo, surgia pouco depois a notícia da morte de uma figura pública de relevo, coincidências que envolveram nomes como Osama bin Laden, Steve Jobs ou ainda Robin Williams.
Apesar de nunca ter passado de uma curiosidade sem qualquer fundamento, o padrão repetido transformou-se num dos episódios mais caricatos do futebol moderno, acompanhando o galês ao longo da carreira.
Leia aqui o comunicado de Aaron Ramsey na íntegra:
«Esta não foi uma decisão fácil de tomar. Após muita reflexão, decidi retirar-me do futebol.
Em primeiro lugar, quero começar por falar do País de Gales. Foi um privilégio vestir a camisola do País de Gales e viver tantos momentos incríveis com ela. Isso não teria sido possível sem o contributo extraordinário de todos os treinadores sob cuja orientação joguei e de toda a equipa técnica que me ajudou de tantas formas.
À Red Wall. Vocês estiveram presentes nos bons e maus momentos! Acompanharam-me nos altos e baixos e foram uma parte essencial e indispensável do nosso sucesso. Não tenho palavras para vos agradecer. Passámos por tudo juntos e foi uma honra representar-vos. Diolch.
Em segundo lugar, obrigado a todos os clubes pelos quais tive a sorte de jogar. Obrigado a todos os treinadores e equipas técnicas que me ajudaram a viver o meu sonho e a jogar ao mais alto nível. E um enorme obrigado à minha mulher, aos meus filhos e a toda a minha família. Sem vocês ao meu lado durante todo este tempo, nada disto teria sido possível.
AARON RAMSEY»