Foi de cabeça que o Vitória resolveu a eliminatória em Santa Maria de Lamas, mas este foi um duelo «rijo», com o músculo e o coração a ditarem leis, numa tarde em que a chuva regressou em força ao norte do país. Rivas resolveu a questão perante um União fiel ao seu nome, mais um digno representante da qualidade e competitividade que o Campeonato de Portugal alberga.
Se é certo que Luís Pinto mudou cinco peças em relação ao último jogo, em que venceu o Santa Clara para a Liga, também não é menos verdade que apresentou uma equipa de respeito em Santa Maria de Lamas para tentar evitar uma surpresa frente a um adversário que compete três escalões abaixo, mas que se mostrou sempre organizado e, quando possível, atrevido.
Naturalmente, houve mais Vitória na primeira parte, ainda para mais jogando a favor do vento. As melhores ocasiões pertenceram aos minhotos, com destaque para o voo de Francisco Enes para evitar o golo a Samu, aos 24 minutos.
Mas não se pense que o União de Lamas assistiu a tudo isso impávido. Bem organizado, conseguiu algumas saídas perigosas para o ataque, quase sempre pela direita, onde um enérgico Daniel Rodríguez dava profundidade e, sobretudo, vida àquele flanco. Perto do intervalo, Luís Salgado, de fora da área, obrigou Charles a lançar-se ao relvado para evitar o golo, na melhor ocasião lamacense em toda a primeira parte.
Bem cedo, o relvado começou a dar de si. Aos poucos, a bola deixou de rolar, culpa da chuva que caía com cada vez maior intensidade, tornando o jogo num replicar de duelos pela posse de bola, sem grande critério nem objetividade.
Só que, tal como a muita chuva que caía, do «céu» surgiu o lance que fez o Vitória respirar de alívio. Aos 51 minutos, Óscar Rivas, na sequência de um canto, fez valer os seus 1,93 metros para se elevar e cabecear para o 1-0, desfazendo o perigoso nulo.
Estava feito o mais difícil para o Vitória, até porque, do outro lado, as dificuldades físicas avolumavam-se. Com a ala direita renovada ao intervalo pelas entradas de Strata e Camara, os vimaranenses continuaram por cima no jogo e só não dilataram a vantagem aos 70 minutos porque Diogo Sousa, com a baliza deserta após um erro clamoroso do guarda-redes adversário, rematou por cima, para desespero dos adeptos vitorianos.
Incansável, o União de Lamas foi ao limite para tentar evitar a derrota. Aos 82 minutos, João Moreira ficou perto do empate, num livre lateral traiçoeiro que antecedeu a expulsão do treinador do Vitória, Luís Pinto, do banco, por protestos.
O Vitória ainda dispôs de mais um par de boas situações para construir um resultado mais confortável, mas o 1-0 perdurou até final. E bastou para carimbar o apuramento para a próxima ronda da Taça.