Do futebol ao futsal, a vida de Rúben Góis sempre se fez com a bola nos pés. A aura muito própria dos pavilhões levou-o a contrariar a vontade dos pais e a dedicar-se a uma modalidade que continua a solidificar raízes em Portugal, hoje uma potência à escala global.
Subiu da III até à I Divisão, sempre a pulso e como consequência do seu talento, e pelo caminho fez amizades para a vida.
E será que o futsal não está mesmo bonito, como Ricardinho recentemente criticou? Para Rúben, é tudo uma questão de «versatilidade».
LEIA MAIS:
PARTE I - Góis e a chamada ao Euro: «Estava de cama há três dias mas levantei-me logo»
PARTE II - Rúben Góis superou calvário de lesões e confessa: «Pensei em desistir»
Começou no futebol, ainda em criança. Lembra-se bem desses tempos?
Comecei no futebol de sete do Boavista e, entretanto, fui para o FC Porto, mas muita gente do bairro onde vivia jogava futsal. Quando acabava a época, entrava sempre nos torneios de verão, lá no bairro, e foi daí que nasceu a minha paixão pelo futsal. Jogava futebol, mas ia sempre a pavilhões ver os jogos dos meus amigos. Chegava sempre a casa com aquele “friozinho” de querer jogar futsal, foi um amor à primeira vista. Entretanto, pedi aos meus pais para trocar, disse-lhes que queria experimentar o futsal. Num dos torneios do meu bairro apareceu um olheiro do futsal do Boavista, que me perguntou se queria ir fazer um treino ao clube. Fui, um bocadinho contra a ideia dos meus pais porque eles gostavam que eu jogasse futebol, gostei e fiquei. Foi a partir daí que começou a minha trajetória no futsal.
Atualmente, joga com o pivot. No futebol, era avançado?
Era, jogava a 9.
E tinha alguma referência?
Quando jogava futebol, o meu ídolo era o Falcao, que jogou no FC Porto.
No FC Porto, jogou, entre outros, com o João Mário (Bolonha) ou o Fábio Vieira (Hamburgo). Mantêm contacto?
Não. Conheço-os, mas éramos muito novos. Éramos da mesma equipa, mas não me recordo muito desses momentos. Lembro-me perfeitamente de ter jogado com eles, mas não mantemos ligação.
Fez formação no Boavista. Custa-lhe ver o estado a que o clube chegou?
Nunca tive ligação ao futebol do Boavista, tinha sete ou oito anos quando lá joguei futebol, só depois fui para o futsal. É um clube grande, que faz falta. Foi um choque para todos os amantes de futebol, porque o Boavista foi um clube muito grande.
Chegou a jogar na III e II Divisão Nacional, antes de chegar à Liga. Desse trajeto, que fotografia tira ao estado do futsal nacional?
Crescemos muito nas divisões abaixo da primeira. Tenho muitos amigos que jogam na III Divisão e vou ver muitos jogos deles. Há quatro ou cinco anos, havia uma grande diferença entre a II e a III Divisão, e neste momento já não sinto isso. Há muitas equipas boas na III Divisão, o investimento é maior. Mesmo nos distritais, há muita gente com muita qualidade. O futsal português continua a estar em boas mãos, porque estamos a melhorar muito nessas divisões.
Recentemente, Ricardinho foi um pouco crítico da forma como os jogos são hoje encarados, com pouca margem para o improviso. Sentiu essas mudanças durante o seu percurso?
Temos de nos ir habituando àquilo que o jogo nos dá e nos pede. Sem dúvida que o futsal que víamos há alguns anos é totalmente diferente do atual, mas também acho que é devido a termos mais versatilidade. Temos muitos mais jogadores não só tecnicistas, mas também de trabalho. Acho que não tem muito a ver com a técnica ou não usarmos tanto a qualidade individual, mas sim com adaptarmo-nos e irmos trabalhando naquilo que o jogo nos pede.
Que treinador e jogador mais o marcaram ao longo da sua carreira?
O treinador foi o Jorge Braz, por ser quem é e por me ter dado a oportunidade de representar o meu país. É uma pessoa incrível, sou-lhe muito grato. Quanto ao jogador, vou dizer o Lúcio (Rocha), do Benfica, que é um dos meus melhores amigos. Já vivemos muitos momentos e chegámos a estar lesionados juntos. É um amigo fora do futsal e uma referência para mim pelo jogador que é. É uma pessoa muito importante e sempre presente na minha vida pessoal e profissional.
O que faz para além do futsal?
Neste momento só jogo, sou profissional. Nos meus tempos livres, tento ao máximo aproveitá-los com a minha família e amigos. Sou uma pessoa muito ligada à minha família.
A sua revista digital