Duncan Whistley



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«Joga, isso!»



«Como cheguei ao interior de Portugal? Bem, o convite foi-me feito pela Binaural/Nodar, uma entidade dedicada à arte dos sons e à pesquisa social em contexto rural»

«Eles desafiaram artistas de todo o mundo a fazer trabalhos que tivessem a aldeia de Nodar como pano de fundo. Eu amo o futebol e já tinha utilizado técnicas de captura de som no Coventry e no Brighton. Por isso perguntei ao Luís Costa, diretor da Binaural, se havia algum clube na região. Foi assim que ele me indicou o GD Parada»

Luís Costa

«O trabalho partiu de uma proposta minha, uma vez que a aldeia de Parada de Ester, casa do GD Parada, é vizinha da nossa aldeia de Nodar e na altura este clube era uma sensação na Honra da AF Viseu. Em poucos anos subiu três escalões, com condições logísticas bem humildes»



Um microfone a apontar para o pelado



«O que mais me interessava eram os ritmos e as coreografias da repetição dos exercícios. Mas, obviamente, acabei por me envolver emocionalmente com os resultados da equipa, até porque jogavam sempre contra clubes de maior dimensão»

«O Parada jogava num campo de terra muito pobre. O treinador chamava-se Paulo e tratava de tudo. Até do transporte e das refeições da equipa. Nos jogos não havia mais de 40 ou 50 adeptos. Em Inglaterra tal é impensável e tudo isso me envolveu com a equipa»

Duncan Whitley a gravar um jogo do GD Parada



«Recordo uma conversa incrível com o Carlão, capitão do Parada. Ele dizia que os outros clubes estavam desesperados por ver o GDP a descer de divisão, só para não terem de jogar naquele pelado duro»

«Joga, isso!»«G.D. Parada»

«É um retrato do clube. Penso que captura algo sobre a peculiaridade daquele lugar, da sua identidade. Da forma como eles se envolveram com o jogo, mesmo a este nível»



«O que mais me atrai artisticamente é a ligação entre clube e lugar»



«Foi fundado em 1883, ganhou uma FA Cup e está um verdadeiro caos. O filme explora o início da relação entre o Coventry e os proprietários atuais (um fundo chamado SISU)»

«Estes senhores decidiram tirar o clube da nossa cidade e levá-lo para Northampton, a 50 quilómetros. Não podia correr bem. Uma das coisas que mais me atrai artisticamente no futebol é a ligação entre clube e lugar, a ideia de casa»

«O futebol é um anacronismo nesta era globalizada. As pessoas valorizam muito o sentimento de posse, seja no futebol amador ou profissional. Adoro esse vínculo adepto-clube»