10-0! Dez-golos-dez, senhores. Não se via tal desde 1964, quando o pequeno Seixal saiu da Luz vergastado pelos mesmos números. Tivemos, pois, de esperar 55 anos para que esta humilhação em forma de score voltasse a assolar os nossos relvados.

O que dizer mais sobre esta coça desportiva? O Benfica numa tarde/noite de inspiração divina, tudo a sair bem, mérito absoluto; o Nacional numa amostra amadora, vergonhosa, com erros inaceitáveis até numa equipa de juvenis.

Os astros alinharam-se, como bem disse Bruno Lage, e o placard explodiu.

Para o Benfica foram só mais três pontos mas, numa jornada em que o FC Porto deixou dois em Moreira de Cónegos, fizeram toda a diferença para a nova roupagem da classificação geral.

Os campeões nacionais ainda comandam, mas nas últimas cinco jornadas cederam seis pontos: dois em Alvalade, dois em Guimarães e dois em Moreira. Só têm agora um ponto sobre a rejuvenescida equipa de Bruno Lage.

Coladinho aos dois de sempre continua o Sp. Braga. Desta vez, a equipa de Abel sofreu a bom sofrer para derrotar o Desportivo de Chaves. Esteve a perder já na segunda parte, mas o inevitável Dyego Sousa e Claudemir perpetraram a tempo a reviravolta.

Mais fácil, ou pelo menos mais simples, foi a vitória do Sporting na Feira. É verdade que a primeira parte dos de Keizer foi muito fraca, mas o autogolo de Briseño atirou a equipa da casa ao solo. Depois, foi só soltar a qualidade superlativa de Bruno Fernandes.

Os leões estão a nove pontos do FC Porto, a oito do Benfica e a sete do Sp. Braga, com o Moreirense sete pontos atrás. Ainda há esperança para este leão na Liga?

Menos bem do que o Sporting esteve o Vitória. De Guimarães. Perdeu em Tondela e somou mais um jogo sem golos marcados. Marcou quatro nos últimos nove jogos e sempre pelo mesmo jogador. Tozé.

Luís Castro conseguiu empatar contra o FC Porto, mas a qualidade exibicional continua a oscilar. No meio-campo, é estranho ver a equipa sem André André (por lesão) e Mattheus (por opção). Faltam ideias, falta criatividade.

Num dos bons jogos da ronda, o Rio Ave passou em Portimão e fez prova de vida, mesmo sem Carlos Vinícius (agora no Monaco), João Schmidt (vendido para o Japão) e Fábio Coentrão (lesionado).

O experiente Bruno Moreira marcou de calcanhar um dos mais belos golos da Liga. Os vilacondenses subiram ao oitavo lugar.

Nota final para a segunda vitória consecutiva do Boavista – nunca tinha conseguido isso na Liga com Jorge Simão – e para a terceira derrota seguida do Marítimo. E mais preocupante do que perder em casa contra um opositor direto (Aves) é a pobreza exibicional da equipa de Petit.

Não houve mais golos, mas a ronda só ficou fechada na segunda-feira com um «diplomático» nulo entre Vitória e Belenenses no Estádio do Bonfim.