Delfim tem contrato com o Marselha até 2006 mas não acredita nas capacidades do chefe do departamento médico do clube francês. Por isso veio para Lisboa em Outubro de 2003 para recuperar de uma delicada operação à coluna. Regressou à zona onde vivia quando jogava no Sporting, regressou à cidade que o acolheu quando em 1998/99 trocou o Bessa por Alvalade. Diariamente trabalha com o fisioterapeuta António Gaspar e sorri quando fala dos progressos que tem feito. Agora já se consegue vestir sozinho mas está ansioso pelo dia em que vai poder pegar os filhos, Gabriela (21 meses) e Tiago (três anos e meio), ao colo. Os sorrisos dos dois rebentos e o apoio da mulher, Susana, têm sido fundamentais nesta travessia pelo deserto. Mas, a dor ainda faz parte do seu dia-a-dia.

Maisfutebol - Como é o seu dia-a-dia?

Delfim - Sempre fui de me levantar cedo. Não sou de namorar a cama, durmo o mínimo e indispensável. Ao vir para Lisboa os meus horários e a minha vida moldam-se em função da minha recuperação. Trabalho duas horas e meia a três horas na clínica, de segunda a sexta-feira, e faço piscina duas vezes por dia (7h45 e 21h45).

MF - Vive na mesma casa em que viveu quando estava no Sporting?

D - Não porque estava ocupada. Mas, estrategicamente vim morar para perto da clínica, porque o meu estado era muito delicado. Para conduzir tinha de usar uma cinta.

MF - Quais eram as limitações que tinha?

D - Desde a minha mulher ter de me ajudar a calçar as meias, os sapatos e ter de me ajudar a tirar as calças... Não me conseguia dobrar. Não tinha mobilidade nenhuma e quando tentava fazer qualquer tipo de movimento as dores eram fortíssimas e incapacitantes ao ponto de me limitarem nesses movimentos normais.

MF - Não conseguia sequer pegar nos seus filhos ao colo?

D - Não. Desde Agosto de 2002 que não conseguia brincar com os meus filhos, nem tão pouco pega-los ao colo mais de dois minutos, pois as dores eram violentíssimas e a incapacidade enorme.

MF - E hoje? Já consegue?

D - Continuo a não pegar porque faz parte do tratamento e da recuperação, mas com perspectivas de dentro em breve poder fazê-lo, o que me vai deixar bastante lisonjeado. Estou ansioso por esse momento.

MF - Ainda tem dores?

D - Numa escala mais reduzida, felizmente, o que já me faz sorrir. Escala essa que, mesmo pequena que seja, enquadrada no estado em que eu estava, permite-me hoje ter outra mobilidade, outra qualidade de vida que não tinha há um mês.

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