Delfim saiu de Sporting à procura de um novo desafio no futebol francês em Julho de 2001. Em Outubro do ano passado regressou a casa pelo pior motivo e passou a acompanhar de perto o que por cá se passa. Tristemente encontrou o desporto Rei na mesma. Os mesmos erros, os mesmos protagonistas, as mesmas desculpas e evolução nem vê-la. A avaliação que faz do campeonato português não podia ser mais negativa mas tudo é justificado.
Maisfutebol - Tem acompanhado o futebol português? É o mesmo de quando jogava no Sporting?
Delfim - Não tem mudado muito. Há excesso de protagonismo das pessoas que estão à frente do futebol. Não há circo sem palhaço, mas para ser palhaço é preciso ter qualidade. Fala-se muito, critica-se muito mas joga-se menos, trabalha-se menos, há menos profissionalismo, menos condições para levar as pessoas aos estádios, para estarem no estádio com alegria e vontade de ver os jogos. Isso é cada vez menos visível no nosso futebol. Tendo em conta a experiência que tive, e tenho, ao estar em França, ao ter passado por França, que tem um futebol que é pouco divulgado aqui, posso dizer que estamos muito longe de alcançar a capacidade de toda a envolvência que eles criam em volta do futebol, o espectáculo que eles dão, os estádios cheios... Estamos muito longe daquilo que aparentamos ser e que queremos demonstrar que somos. Estamos mesmo muito longe.
MF - Tem tido contacto com o Sporting?
D - Deixei lá amigos e mantenho contacto com eles com alguma frequência.
Leia ainda:
- Delfim: «Em dois anos tenho 14 minutos nas pernas, portanto estou em forma»
- Delfim: «Não confio no departamento médico do Marselha»
- Delfim: «Não consigo pegar os meus filhos ao colo»
- Delfim já não tem «esperanças» de voltar a jogar futebol
- Delfim: «Procuro a luz ao fundo do túnel mas ainda não a vejo»
- Delfim: «Sonho sempre de olhos abertos»
- Delfim: «Marselha não está preocupado em saber como estou»
- António Gaspar: «Situação de Delfim é a mais complicada que já tive»