Esta é uma visita ao passado, um passeio por um tal de 17 de Abril de 1999, por um início de noite que permanecerá na memória por muitos anos que viva. Nandinho nem precisa de muitas pistas para a recordação chegar como um trovão. Basta falar-lhe no nome do Sporting. «Lembro-me sempre do jogo em Alverca em que fiz três golos». As memórias cruzam-se com um sorriso de orelha a orelha. «É bom recordar esse jogo», adianta. «Guardo-o para sempre na minha cabeça».
Os leões eram treinados na altura por Mirko Jozic e apresentavam uma equipa com alguns craques, casos de Simão, Duscher, Delfim, Marco Aurélio, Saber, Pedro Barbosa, Acosta, Iordanov. No final foi porém o Alverca, de José Romão, que mais sorriu. Três golos de Nandinho e uma vitória por 3-2. «São jogos que marcam uma carreira», diz. «Se quiser ser egoísta e pensar em mim, esse foi um momento muito bom para mim. Foi um dos jogos mais felizes e que mais recordo».
«Até de pontapé de baliza marcava golo
No final do encontro Nandinho teve até uma afirmação curiosa. «Na altura disse aos meus companheiros que se marcasse um pontapé de baliza arriscava-me a marcar golo». O sorriso rasga-se outra vez. «Foi um jogo perfeito para mim. Tive quase cem por cento de eficácia», conta. «Mas são jogos que acontecem uma vez ou duas vezes numa carreira». Ora como só ainda aconteceu uma vez até agora, poderá a segunda estar guardada para domingo? «Não digo que não pode voltar a acontecer, mas é extremamente difícil», responde. «Marcar três golos já é difícil, marcar três golos a uma equipa grande ainda mais difícil fica».

Mesmo assim Nandinho mantém a confiança. Está a percorrer um excelente momento na formação gilista e tem um velho hábito de fazer bons jogos contra o Sporting. Razões que lhe alimentam a esperança. «As grandes equipas vêm aqui para vencer», refere. «Atacam, jogam abertas e ao fazer isso dão mais espaço ao adversário. Eu sinto-me bem com espaço para explanar o meu futebol. Sou um jogador rápido e que tem tudo a ganhar quando há campo para jogar futebol». No sábado deve haver muito campo no novo Cidade de Barcelos. Porque não sonhar? «Vamos ver», diz. «Marcar golos é bom mas mais importante é vencer jogos».