César Peixoto, treinador do Gil Vicente, recusou assumir a candidatura a uma vaga europeia. No entanto, o técnico gilista elogiou a forma como a equipa jogou «de igual para igual» com o Benfica e assumiu que o resultado mais justo seria o empate.

Futebol não foi justo com o Gil Vicente

«Não nos agarramos a exibições morais, mas em termos de jogo jogado, oportunidades, posse de bola, cantos, foi equilibrado. O resultado mais justo seria o empate. O futebol hoje não foi justo, o Benfica foi mais eficaz, mas mostrámos que jogamos de igual para igual seja com quem for. Não tivemos receio nenhum, fizemos o 1-1 e quisemos a vitória, não nos fechámos a agarrar o empate, não é o nosso ADN. Num lance controlado, o Cáseres acerta mal na bola e o Schjelderup faz o golo da vitória. Foi um grande jogo da minha equipa perante uma excelente equipa. Eu falo e acontece no campo, esta é uma equipa com identidade clara.»

Humildade da equipa em campo

«Eu acho que sim, a equipa foi humilde, quando o Benfica teve capacidade de ter bola soubemos estar organizados e sofrer, estávamos perante bons jogadores. Com bola formos arrogantes para pegar no jogo e estar por cima em alguns momentos, olhar para a baliza. Sabíamos que ia ser um jogo difícil, mas mostrámos o porquê do campeonato que estamos a fazer e de estarmos onde estamos. Somos uma equipa que valoriza o espetáculo.»

Héctor Hernández no lugar de Varela

«Ainda não está a cem por cento, no Brasil estava a fazer pré-época. Está melhor, por isso jogou, mas não está bem para 90 minutos. Acreditamos muito nele. Já demonstrou em Portugal que tem golo, mas não está no seu máximo. Pode fazer mais e melhor, teve dificuldade em reagrupar quando o jogo esteve partido na primeira parte, mas isso faz parte.»

Luis Esteves muito móvel

«O nosso meio-campo é muito móvel, temos timings para tudo e mais alguma coisa, eles jogam de olhos fechados, a equipa está muito equilibrada, somos coesos, organizados, não permitimos muito ao adversário. Quando o Luís vai, os outros sabem o que fazer para equilibrar. Podíamos ter matado algumas jogadas com falta, mas quando o Luís vai a equipa sabe como equilibrar. Queremos é que a equipa seja ofensiva, que o Luís não tenha problema em chegar-se à frente, queremos meter homens em zona de finalização. A equipa está mecanizada.»

Candidatura a lugar europeu

«Não vamos assumir isso. Perguntaram-me na flash se, se não terminássemos a época em lugares europeus seria uma frustração. Não. Falta muito campeonato. Temos de perceber o que fizemos neste jogo e ir para o Estrela fortes e confiantes. Vai ser assim semana após semana, mas, de uma coisa tenho a certeza: se continuarmos desta forma - e vamos continuar -, vamos ser felizes no final. Onde vamos terminar? Não sei. Somos uma equipa consistente, valorizamos o jogo, quem joga desta maneira está sempre mais perto de vencer, acredito muito na minha equipa e no final fazemos as contas. É muito prematuro para assumir um lugar europeu, há equipas perto, Famalicão, Moreirense, Estoril, Vitória… Temos de continuar desta forma e vamos ser consistentes até ao final.»

Equipa pecou no último passe

«Criámos oportunidades para fazer golo, da mesma forma que o Benfica criou. Faltou sermos mais agressivos no ataque ao espaço. Fizemos um bom jogo a 90 minutos, ao intervalo organizámos uma coisa ou outra, pedimos estabilidade mental, e a equipa entrou muito bem na segunda parte. O Benfica quebra ali outra vez e reentra no jogo. O lance do primeiro golo é uma bola muito longa e fica ali na dúvida, podíamos tirar a bola, no segundo tínhamos a linha defensiva organizada, mas o Cáseres não corta muito bem a bola e o Benfica teve a sorte e a capacidade individual do Schjelderup. O Benfica não criou perigo para fazer o golo, mas entregámos a bola. Criámos oportunidades, faltou ser eficaz, o Benfica foi mais eficaz, tem jogadores que podem fazer a diferença, como aconteceu no segundo golo. Há uma coisa que me deixa muito feliz, fomos uma equipa a 90 min, sem abdicar da ideia e do resultado.»