Ricardo Soares, treinador do Gil Vicente, na sala de imprensa, após igualdade (1-1) frente ao Paços Ferreira:

«Perspetivávamos um bom jogo, entre duas equipas que privilegiam a posse e assim foi. Na primeira parte, tivemos alguma dificuldade em pressionar a primeira linha do adversário e, por mérito do Paços Ferreira, conseguiu sair. Mesmo assim não criaram muito perigo. Aos poucos fomos tendo mais bola, criámos inúmeras oportunidades de golo, uma bola na barra e outras situações que poderíamos e deveríamos ter feito melhor.

Na segunda parte, sofremos um golo, reagimos bem, lutámos imenso. A equipa teve um equilíbrio imenso e conseguimos resgatar um ponto. Resumindo, um jogo bem disputado, em que a minha equipa foi ligeiramente melhor, mas que não foi premiada com os três pontos.

[na primeira parte o lado direito não funcionou porquê?] É verdade que estivemos melhor do lado esquerdo. Primeiro porque o Paços Ferreira teve mais cuidados desse lado e porque o Samuel Lino fez uma exibição soberba. Consegue desequilibrar de uma forma impressionante e fez um jogo brutal. Fomos sempre mais perigosos do que o Paços Ferreira, mas no que toca à posse de bola, em que costumamos ser melhores do que os adversários, o Paços conseguiu equilibrar.

[lance do penálti, a expulsão e o 5.º lugar em risco] Vamos continuar a jogar o futebol que o país assiste, temos esse ADN, vamos continuar a fazer bem ao futebol. Vamos continuar a proporcionar às pessoas que vêm ao estádio e vamos continuar a ter jogos fantásticos. Vão ter de contar connosco porque nós queremos o 5.º lugar. Não era um objetivo, mas passou a ser e a única coisa que me deixa triste é ter os jogadores tristes no balneário. Não vou comentar a grande penalidade. Lamento a minha expulsão, não devia ter acontecido, mas vamos seguir em frente e continuar a fazer bem ao futebol.

[dificuldades no meio campo na primeira parte] Já temos oito ou nove golos por pressionar à frente. Queremos jogar como equipa grande e quase todas jogam assim. O que aconteceu hoje foi que, do lado do Aburjania, eles colocavam um jogador entrelinhas e eles saíam em quadrado. Na segunda parte corrigimos isso e claramente melhoramos. Faltava uma maior intensidade em chegar à frente sem ter medo das costas.

[acha que se apita em demasiado em Portugal?] É uma preocupação minha ter intensidade, colocar o jogo a andar e temos dificuldades em que o jogo avance por sistemáticas perdas de tempo. Tenho respeito por todos os clubes e acho que devemos mudar isso para bem do futebol. Ninguém ganha com isto. Estou num clube que é um exemplo para o país e por muito que me apeteça responder, acho que este é o caminho».