É verdade que a escolha dos nomeados obedece a critérios definidos, que além da beleza do golo também contempla a importância e visibilidade do jogo. É por isso que, ano após ano, consagrados como Messi, Ronaldo ou Neymar surgem lado a lado com ilustres desconhecidos, por vezes até de escalões secundários ou campeonatos de segunda linha.

E tão certo como esta disparidade é, como em qualquer prémio, a habitual referência às «injustiças» ou «esquecimentos». Com um leque de possibilidades tão grande e em algo tão específico como definir o melhor ou o mais belo, apresentar alternativas tornou-se uma tradição.

E o Maisfutebol não é diferente. Este ano voltamos a lembrar dez golos que foram esquecidos pela FIFA. Obedecendo aos mesmos critérios.

Um deles importante: a data em que foi marcado o golo. O órgão que tutela o futebol mundial estabelece como elegíveis os golos marcados entre 3 de outubro e 26 de setembro. Por exemplo, Ibrahimovic venceu o galardão de 2013 com um golo apontado em 2012, em novembro.

Aliás, antes de começar a ver as alternativas, recorde os anteriores vencedores de um prémio instituído em 2009.

2009: Cristiano Ronaldo, POR (FC Porto-Manchester United, Liga Campeões)

2010: Hamit Altintop, TUR (Cazaquistão-Turquia, Euro 2012 Q)

2011: Neymar, BRA (Santos-Flamengo, Brasileirão)

2012: Miroslav Stoch, ESL (Fenerbahce-Gençlerbirligi, Liga turca)

2013: Zlatan Ibrahimovic, SUE (Suécia-Inglaterra, Particular)

2014: James Rodríguez, COL (Colômbia-Uruguai, Mundial 2014)

Agora sim, a lista do Maisfutebol.

-Erik Lamela (Tottenham-Asteras Tripolis, Liga Europa)

Poucos dias depois de serem conhecidos os nomeados para o Prémio do ano passado, Erik Lamela fez esta obra de arte em jogo da Liga Europa. Um remate de letra de fora da área. Muita gente apressou-se a lembrar o caso de Ibrahimovic e acreditou-se que o prémio poderia estar atribuído um ano antes de os nomeados serem divulgados. Acabou por não entrar na lista da FIFA. Esquecimento?

-Richard Ortiz (Libertad-Deportivo Santani, Liga paraguaia)

Se um golo de bicicleta é agradável de ver, um golo de bicicleta de fora da área, porque raro, é imperdível. Mas por vezes acontece e nos palcos menos esperados, como o campeonato do Paraguai, onde Richard Ortiz se destacou dessa forma.

-Siphiwe Tshabalala (Kaiser Chiefs-Free State Stars, Liga sul-africana)

Tshabalala é, essencialmente, conhecido por um golo: o primeiro do Mundial 2010, também ele de belo efeito. De lá para cá, voltou ao que era, um ilustre desconhecido para a maioria dos adeptos. Mas, em agosto deste ano, voltou a dar a volta ao globo por causa de um golo na Liga local. Um pontapé de muito longe, que saiu ao ângulo.

-Birtalan Botond (Bekescsaba-Gyirmot, II Liga húngara)

Um grande golo, muitas vezes, tem anexada uma generosa dose de sorte e este é um desses exemplos. É verdade que, muito provavelmente o desconhecido Birtalan Botond, não contava marcar festa forma, mas o certo é que a bola entrou e de um jeito que não é de todo habitual: de calcanhar, em chapéu e de fora da área. Sorte, sim, mas um golaço em qualquer parte do mundo.

-Marco Matias (Leeds United-Sheffield Wednesday, Championship)

Se há golos de sonho na II Liga da Hungria, por que não na II Liga inglesa? Ainda por cima quando é um golaço que «fala» português! Marco Matias, um dos pupilos recrutados por Carlos Carvalhar na Liga para o seu Sheffield, deu a volta ao mundo com um golo de sonho ao Leeds. Toque com o pé direito por cima do rival e remate com o esquerdo, sem deixar cair. Poderia muito bem ter merecido o destaque da FIFA.

-Lionel Messi (Barcelona-Bayern Munique, Liga Campeões)

Ok, Messi está na lista. Ok, o golo ao Atletico Bilbao é genial. Mas se tivermos de escolher o golo mais icónico ou facilmente recordável deste período, poucos estarão ao nível do segundo golo do argentino ao Bayern Munique, na primeira mão das meias finais da Liga dos Campeões. O drible e a finalização de classe, por cima do gigante Neuer, correram o mundo. Tal como a inesquecível queda de Boateng, que ajudou a imortalizar o momento.

´

-Ando Svrljuga (Valgiris-Trakai, Liga lituana)

Quando se fala em golos de ângulo impossível vem logo à cabeça Van Basten ou Roberto Carlos, certamente. Homens que fizeram história ao marcar de lugares nada prováveis. Se, numa conversa de café, quiser fugir à rotina e apontar um nome, de todo, improvável, faça um esforço por decorar este: Ando Svrljuga. Não precisa de ver mais nada. Apenas este golaço.

Martin Hansen (Den Haag-PSV, Liga holandesa)

Se ver um golo de calcanhar no quinto minuto de compensação já é, por si só, raríssimo, ver um guarda-redes fazê-lo pode ser inesquecível. Na altura do desespero é muito frequente que o treinador autorize o guardião a tentar dar uma ajuda. Menos habitual é que essa ajuda, de facto, surta efeito. Com esta beleza, então, é histórico. A FIFA esqueceu. Provavelmente porque seria estranho ver um guarda-redes marcar o golo do ano…

-Hugo Vieira (Estrela Vermelha-Partizan Belgrado, Liga sérvia)

«Dizem-me que foi o melhor golo da história dos dérbis de Belgrado». Estas foram as palavras do avançado português ao Maisfutebol pouco depois de um jogo para a história em que fez dois belos golos em cima de uma das rivalidades mais antigas do velho continente. Um deles, contudo, destacou-se. Pela receção de calcanhar, pela preparação e pelo remate indefensável.

-Neymar (Barcelona-Villarreal, Liga espanhola)

Tal como Ibrahimovic, tal como Lamela no início desta lista, este momento de génio de Neymar chegou com uns dias de atraso. Parece de propósito, já que nos últimos anos tem aparecido sempre um golaço incrível pouco tempo depois de ser conhecida a lista de candidatos ao Prémio Puskas. Era impossível ser nomeado este ano e fica agora a dúvida: será que o «bailado» de Neymar vai ser lembrado para o ano?