As recentes chamadas para os treinos com a equipa principal premeiam um jogador de referência na formação, que não deixa dúvidas a quem o conhece bem. «Foi dos melhores jogadores que já treinei», confessa Luís Miguel, treinador do P. Ferreira e antigo técnico de Gonçalo nos sub-15 portistas. «É um talento, com muita qualidade técnica, que tanto pode jogar como 9 ou como 10. Joga muito bem perto da área, finaliza muito bem e com os dois pés. É claramente acima da média», completa, em conversa com o Maisfutebol.

Luís Miguel conhece-o desde os 12 anos e não tem dúvidas que terá um futuro risonho, seja como matador, como foi Domingos, ou mais atrás. «Acredito que se possa estabelecer definitivamente como ponta-de-lança. Mas ainda vai amadurecer », lembra.

O «amigo» Vítor Pereira e o sonho de embalar o Dragão

17 anos, muitas promessas e os primeiros raios de luz de um holofote que pode não escapar mais. «O sonho dele é jogar no F.C. Porto», diz-nos Bernardo Pessoa, amigo de longa data. Actualmente está nos juniores do Boavista, mas jogou com Gonçalo no F.C. Porto durante sete anos.

«Está muito feliz. Ele passou uma fase mais complicada nos juniores. É o primeiro ano e no início não era convocado. Andava triste. Mas agora as coisas estão a correr melhor e estas chamadas a treinar com os seniores vieram numa boa altura para o animar», afirma Bernardo. Para o amigo, Gonçalo é diferente do pai: «É mais cerebral, pode vir a ser um grande número 10, mas, actualmente, é o melhor avançado sub-18 do país.» Luís Miguel, por seu lado, encontra semelhanças com Domingos. «A qualidade táctica, o drible curto e a forma como finaliza fazem-me muito lembrar o pai», assume.

Treinar ao lado dos «grandes» costuma trazer o natural «friozinho na barriga», mas para Gonçalo há um ponto em comum com o passado: Vítor Pereira. O técnico portista treinou-o nos sub-15 do F.C. Porto, em 2007/08. «Conhecem-se bem, são amigos», confessa Bernardo Pessoa. Mais um ponto a seu favor.

Um projecto de goleador que não gosta de sair à noite

E como é a vida de um filho de craque que aspira a também o ser? «Normal. Ser filho do Domingos nunca fez grande diferença na vida dele. Não vive 100 por cento para o futebol, mas não tem muitas paixões. Não gosta de sair à noite, prefere passear. Quando estou com ele ou é para dar umas voltas, ou para jogar futebol ou Playstation lá em casa», conta Bernardo.

Luís Miguel corrobora o discurso do jovem simples que apenas quer jogar futebol: «Nunca lhe vi um tique de vedetismo. O F.C. Porto tem regras bem definidas e ele foi sempre exemplar.»

«As pessoas costumavam pensar que ele era diferente por ser filho do Domingos. É mentira. Ele não precisa do pai para chegar lá acima», garante Bernardo Pessoa. Ainda assim, o pai pode vir a ser-lhe útil, no entender de Luís Miguel: «O Domingos pode dar-lhe muitas dicas de movimentação na área. Ele faz muitos golos, mas nunca foi jogador de fazer cinco ou seis num jogo, porque também assiste os colegas.»

Um duelo na família Paciência pode ser uma realidade a curto prazo. Domingos no Sporting, Gonçalo de dragão ao peito e a família dividida. E, caro leitor, tome nota: o clã Paciência não fica por aqui. O irmão mais novo, Vasco, tem dez anos e está também no F.C. Porto. Será preciso esperar. Sobre Gonçalo, Luís Miguel resume o perfil com uma ideia forte: «Acredito que possa vir a ser melhor que o pai.»