Em conversa com o Maisfutebol, Hélio Pinto confirma o estado de graça que vive, mas deixa um lamento e um reparo: «Estou esquecido pelos responsáveis da FPF», atira o jogador, pouco depois do jogo frente ao Ermis Aradippou.

«Tenho feito uma grande temporada. A minha equipa comanda destacada o campeonato, fiz bons jogos na Taça UEFA e até marquei um grande golo em Gelsenkirchen, contra o Schalke 04», conta-nos o centrocampista, que só não percebe a ausência nas convocatórias da Selecção Nacional.

«Já nem falo da selecção A. Mas ainda agora houve um estágio com quase 30 jogadores, da equipa B, e nem aí tive lugar. Estamos esquecidos no Chipre. Não entendo como não vem cá alguém observar os nossos jogos e perceber a nossa condição e qualidade.»

«Há preconceito pelo futebol cipriota»

A liga cipriota ainda não é ainda muito reconhecida mas apresenta saudáveis sinais de crescimento. O melhor exemplo para sustentar esta tese foi apresentado pelo Anorthosis Famagusta na Liga dos Campeões. Depois de afastar o Olympiakos (esse mesmo que goleou o Benfica por 5-1 na Taça UEFA) na pré-eliminatória, o Anorthosis somou seis pontos na fase de grupos e impôs grandes dificuldades ao poderoso Inter de Milão.

«As pessoas em Portugal têm uma imagem distorcida do futebol no Chipre. Posso garantir que as três melhores equipas (APOEL, Omonia e Anorthosis) lutariam pelos três primeiros lugares na liga portuguesa. São formações muito fortes. Por isso não percebo o preconceito pelo futebol deste país», desabafa Hélio Pinto.

«Fui campeão da Europa de sub-19 com a camisola do meu país e sonho voltar a envergá-la», refere ainda o médio do APOEL.

De Portugal apenas «propostas baixas»

Perante as afirmações fortes de Hélio Pinto, a pergunta impõe-se: terá o médio português de procurar outras paragens para contrariar o esquecimento de que fala? «Talvez. Estou muito feliz aqui, o clube cumpre com tudo, mas às vezes penso que terei de sair.»

De Portugal, segundo nos confidencia, já chegaram a alguns convites, mas todos com «propostas financeiras muito baixas». Por isso, para já, a realidade de Hélio Pinto é mesmo o Chipre.