Em campo chamavam-lhe «Pancho» e o seu nome de guerra é agora transformado em inspiração para a Pancho Arena, inaugurada nesta segunda-feira em Félcsut, cidade húngara que fica a 40 quilómetros da capital Budapeste. Ferenc Puskas tem a homenagem merecida, numa estrutura moderna que servirá de casa para a Academia que terá também o seu nome. À entrada, uma estátua fecha o ciclo de tributo ao melhor jogador húngaro de todos os tempos.

Tudo normal, não fosse este momento aproveitado por Viktor Órban, o polémico ultra-conservador primeiro-ministro, que até já garantiu um lugar de estacionamento personalizado no parque. O estádio, aliás, é construído na sua terra-Natal e por isso fez questão de estar presente ao lado da viúva do ex-jogador, Erzsébet Puskas. Na cerimónia de inauguração estiveram também Jeno Buzanszky, Gyula Grosics, Amancio Amaro e «Pirri», para além de Lothar Matthaus, ex-selecionador da Hungria.

Com capacidade para 3900 pessoas, a Pancho Arena foi classificada com quatro estrelas da UEFA e vai passar a receber os torneios internacionais das categorias mais jovens. A construção começou em abril de 2012 e cusou doze milhões de euros, contando com o financiamento do Estado e empresas ligadas ao partido do Governo, o Fidesz. Em breve receberá uma semifinal do Europeu de sub19.

A Arena foi desenhada pelo famoso arquiteto Imre Makovecz, muitas vezes considerado o Gaudi húngaro, representante do estilo de arquitetura orgânica, e que morreu há três anos. Trata-se de uma infraestrutura que está a ser muito criticada, por ser considerada excessiva e de extravagância desnecessária. «A Pancho Arena é um monumento à corrupção e à megalomania», considera o líder da oposição Szarvas Koppany Bendeguz.



Os primeiros jogos vão ter lugar nos próximos dias, com a sétima edição da Taça Puskas Suzuki, que contará com a participação das equipas juvenis do Honved, Academia Puskas, Panathikaikos, Real Madrid, Dinamo Zagreb e Melbourne, o clube onde Pancho se retirou do futebol, já como treinador.

Puskas foi um dos jogadores mais marcantes da história do futebol no séc. XX, tendo apontado 704 golos em 716 jogos, o que perfaz uma média de 0,98 golos por jogo. Era considerado o Major Galopante (Major pelo seu cargo no exército e Galopante pela sua incansável corrida em todo o flanco) e ganhou grande destaque pela sua seleção primeiro em novembro de 1953, com a mítica exibição em Wembley contra a Inglaterra (6-3, com dois golos de Puskas) e no Mundial de 1954, quando perdeu a final para a Alemanha, por 3-2.

Chega depois ao Real Madrid, onde ajuda o clube a escrever algumas das páginas mais douradas do seu historial, alinhando ao lado de Alfredo Di Stéfano. Foi cinco vezes campeão nacional e conquistou a Taça dos Campeões Europeus em 1960, apontando quatro golos na vitória por 7-3 sobre o Frankfurt. Chegou a jogar pela seleção espanhola no Mundial de 1962 e permaneceu no Real até 1967. Iniciou depois uma carreira de treinador e levou o Panathinaikos à final da Taça dos Campeões, em 1971.

Em 1992 regressou ao seu país, onde faleceu em 2006 aos 79 anos.