«Relatório de scouting» é um espaço de análise da ProScout, empresa especialista em scouting e análise, que todas as semanas vai destacar um jogador, do futebol português ou do futebol internacional, sobre o qual valerá a pena ficarmos atentos.
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Ian Subiabre, a canhota selvagem da Patagónia
Idade: 19 anos (01/01/2007)
Posição: Extremo Direito
Clube: River Plate
Pé preferencial: Esquerdo
País: Argentina
Nascido a 1 de janeiro de 2007, em Comodoro Rivadavia, na província de Chubut, Ian Martín Subiabre é considerado um dos maiores valores emergentes da formação do River Plate. O seu percurso começou em clubes locais da terra natal, antes de dar o salto definitivo para Buenos Aires, onde o seu talento rapidamente o destacou nas equipas jovens dos Millonarios. Atualmente com 19 anos, alinha preferencialmente como extremo direito, utilizando o pé esquerdo para desequilibrar as defesas contrárias, embora também seja diferenciado quando atua pela esquerda do ataque.
O ano de 2025 marcou um ponto de viragem absoluto na sua tenra carreira, catapultando-o para os grandes palcos. Afirmou-se no plantel do River Plate, sob o comando de Marcelo Gallardo, e brilhou ao serviço da seleção argentina no Campeonato do Mundo de Sub-20, disputado no Chile, onde marcou logo na estreia frente a Cuba. Passou de jovem promessa a jogador com minutos regulares e impacto real no futebol profissional sul-americano em pouco tempo.
Pontos fortes: drible, controlo de bola, criatividade, visão de jogo
O principal cartão de visita de Ian Subiabre é a soberba capacidade de drible e o controlo de bola em espaços curtos. Sendo um jogador de baixa estatura - cerca de 1,72m -, e com um centro de gravidade muito baixo, possui uma agilidade invulgar que lhe permite mudar de direção numa fração de segundo. É o típico extremo invertido: partindo da ala direita, procura fletir para o corredor central e ultrapassar os defesas com imprevisibilidade e toque de bola refinado. Tem um pé direito bastante acima da média para um jogador canhoto e por isso é um fantástico desequilibrador, mesmo quando joga na ala esquerda.
Além de ser um abre-latas nas defesas adversárias, Subiabre destaca-se pela sua visão de jogo e qualidade de passe. Não se limita a ser um jogador de correria e drible individual. Esta capacidade de criar jogo torna-o num organizador a partir das alas, assumindo muitas vezes o papel de principal motor criativo da equipa nas transições ofensivas.
A nível mental, tem demonstrado uma maturidade impressionante para a tenra idade. A forma tranquila como lidou com a imensa pressão pública durante o impasse da renovação de contrato, no ano passado, respondendo com golos e boas exibições com a camisola da Argentina, revela um foco tremendo. Não se esconde do jogo nos momentos mais difíceis e assume a responsabilidade de pedir a bola quando a equipa precisa de um rasgo de genialidade para desbloquear o marcador.
Pontos a melhorar: decisão, duelos físicos, transição defensiva
O maior desafio de Ian Subiabre no exigente futebol de alto rendimento prende-se com a vertente física e o momento de decidir no último terço. Com a sua compleição física relativamente leve, sofre quando enfrenta defesas mais possantes que impõem um jogo de choque e contacto físico constante. Ao mais alto nível, é fundamental que um jogador criativo, como o jovem argentino, tenha a frieza necessária para encontrar linhas de passe de rutura, servindo os avançados ou os médios que aparecem em zona de finalização.
O momento defensivo também é uma área em que tem ainda uma margem de progressão considerável. Embora o futebol moderno exija que os extremos recuem e fechem ativamente os corredores, a tendência natural de Subiabre é manter-se numa posição mais adiantada, à espera do momento de transição para o ataque. Em jogos de alta intensidade, a falta de rigor ou de pulmão no momento de pressionar e de acompanhar as subidas do lateral contrário podem deixar a equipa um pouco mais exposta na defesa.
Potencial
O ambiente no River Plate é neste momento o ecossistema ideal para Subiabre aprimorar o talento. Tem pela frente o desafio de se tornar não apenas um jogador de rasgos individuais, mas sim uma presença constante e decisiva durante os noventa minutos. Com isso vai acumular melhores números, golos e assistências, no campeonato argentino e na Libertadores. Se mantiver esta curva de desenvolvimento tem tudo para ser a principal figura criativa do clube a curto prazo.
A nível de mercado, o salto para a elite do futebol europeu parece ser apenas uma questão de tempo. A recente blindagem contratual prova que o River Plate sabe que tem um diamante nas mãos, mas o interesse assumido de colossos de Espanha e o olhar muito atento de clubes formadores de topo, como o Benfica, provam que o perfil tem imenso mercado. O estilo de jogo adapta-se perfeitamente a ligas que valorizam a técnica pura e o futebol mais apoiado e ofensivo.
É, no entanto, muito improvável que este jogador venha a atuar no futebol português, uma vez que a sua cláusula de rescisão ascende já aos 100 milhões de euros. Infelizmente, este tipo de jovens jogadores vão começar a dar o salto para os gigantes da Europa sem qualquer tipo de etapa intermédia, uma vez que são os únicos a conseguir pagar este tipo de quantias.
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