Iara Lobo é, aos 17 anos, uma das grandes promessas do futebol feminino. A prova disso é que já representa o Barcelona, que é quase unanimemente considerado o melhor clube do mundo no futebol feminino.
Embora integre a equipa B, a lateral direita já costuma ser chamada aos treinos da equipa principal e até foi inscrita na Liga dos Campeões, naquele que é um sinal claro da aposta que o Barcelona faz nela.
Em conversa com o Maisfutebol, Iara Lobo fala de como é viver em La Masia (onde também vivia no ano passado um tal de Lamine Yamal) e treinar ao lado de ícones como Aitana Bonmatí ou Alexia Putellas.
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Como é o dia a dia na academia de La Masia?
Aqui dão-te tudo para seres a melhor jogadora do mundo. Eu acordo às nove da manhã, tenho treino até às duas e vou almoçar. Depois tenho aulas online durante uma hora e meia, estudo e tenho a parte da tarde mais livre. É um dia cansativo, mas vale a pena.
Começou pela equipa C, esta época subiu à B e já foi inscrita na Champions. Como é partilhar o balneário com jogadoras como a Aitana Bonmatí e a Alexia Putellas?
Acontece quando vou treinar com a equipa principal e é um sentimento incrível, porque estou a treinar com as melhores do mundo e elas demonstram sempre muito apoio quando nós, as mais novas, vamos treinar com elas. É incrível, não dá para explicar.
Acredita que em Portugal algum dia vai ser possível um clube chegar perto do nível do Barcelona?
Ainda falta algum tempo para conseguirem chegar ao nível do Barcelona. Mas sim, acredito que alguns clubes portugueses podem alcançar esse patamar se continuarem com a revolução que tem existido. Neste momento, estão ainda a crescer.
Já disse que no início «as coisas não saíam tão bem», como era chegar a casa e não ter o colo, por vezes necessário, da família?
Foi difícil, mas eu pensava sempre em como tinha feito uma escolha para o melhor do meu futuro. Ter noção de que estes momentos eram necessários tornava tudo mais fácil. Na minha cabeça, este é o meu objetivo: quero chegar lá, então tenho de abdicar de coisas. A casa, a família e os amigos, foram algumas delas.
«Já houve momentos, na época passada, em que precisei de chorar»
Teve momentos em que precisou de chorar ou exteriorizar o que sentia para seguir em frente?
Passei por essas fases, sim, e chorei na época passada. Mas sempre senti um apoio muito grande de todos. Acabei por fazer uma melhor amiga aqui e tive muito apoio dela. Ela dizia-me «Iara continua, é muito difícil a adaptação, mas tu vais ter o que mereces». Passei mal, mas também sou uma pessoa muito positiva e isso ajudou muito.
Quem é essa amiga?
Eu acho que vocês já sabem [risos]. É a Sydney Schertenleib. Já está na equipa A, mas no ano passado estávamos juntas na equipa B. Ela vive aqui comigo, começámos a dar-nos muito bem e agora é a melhor amiga. Foi a pessoa que mais me ajudou aqui dentro.
Como é que se consegue descansar a cabeça fora do futebol?
Eu acho que é através das amigas que fazes aqui e quando se sai nos tempos livres. Sempre que possível tento sair, gosto de aproveitar para poder conhecer a cidade e a cultura. Acho que é uma forma de desligar um pouco da parte do futebol e aproveitar um pouco da parte mais de pessoa que há numa futebolista.
Fora dos relvados, na academia, deve cruzar-se com grandes nomes. Tem alguma história particular que gostasse de partilhar?
Há uma... [risos] Estava a ir para o restaurante, que é lá em baixo, e estava a passar no corredor. A Gemma Font, a segunda guarda-redes da equipa A, estava do meu lado e, do nada [tenta conter risos], veio na minha direção, bateu-me na cara, caiu no chão e ‘morreu’. Ela começou a rir-se da minha cara e pronto. Foi logo no início da época, ou seja, eu ainda não estava muito com as da equipa A e foi um bocado estranho.