Aí está o primeiro candidato a candidato à presidência do Benfica: Ricardo Martins Pereira.

O responsável pelo blogue «O Arrumadinho» enumerou «12 razões pelas quais» se pretende candidatar à Presidência do Benfica». Antes de tudo, Ricardo esclareceu que decidiu avançar depois do ataque ao autocarro dos encarnados e sobretudo às casas de Pizzi, Rafa, Grimaldo e do treinador Bruno Lage

Este adeptos candidata-se para «tentar devolver ao Benfica a dignidade desportiva e institucional», considerando que tem «faltado seriedade, credibilidade e honestidade fora do campo», pese embora os troféus conquistados. 

«Não me candidato por nenhuma outra razão que não seja a de tentar devolver ao Benfica a dignidade desportiva e institucional que um clube de topo mundial deve ter. Os grandes clubes e as grandes instituições não valem apenas aquilo que os museus de troféus dizem que elas valem. Os grandes clubes e as grandes instituições devem ser, acima de tudo, motores de desenvolvimento de uma sociedade mais justa, equilibrada, séria, honesta. Ao Sport Lisboa e Benfica têm sobrado títulos desportivos, que eu, como adepto e sócio, muito agradeço mas tem faltado a seriedade, credibilidade e honestidade fora do campo, o que a mim, como adepto e sócio, muito me envergonha e entristece», pode ler-se na publicação feita no Facebook. 

Além dos méritos desportivos e financeiros, Ricardo Martins Pereira defendeu que há questões que têm de ser alteradas.

«Mas as vitórias, os sucessos e as coisas bem feitas não nos podem cegar, não nos podem impedir de olhar para os muitos problemas que subsistem, crescem e para os quais não se vê, por parte da atual direção, um caminho, uma solução pensada. Pior. Esses problemas não são sequer trazidos a discussão, são escondidos, retirados da agenda, tratados apenas pelos sócios, adeptos e simpatizantes em conversas de café. Não pode, e sobretudo não deve ser assim. O Benfica tem de ser muito maior fora dos campos do que tem sido, sobretudo nos últimos anos. E ser maior fora do campo não significa mandar "nos bastidores" do futebol, significa ser a locomotiva da mudança», refere, ainda. 

Leia na íntegra os motivos que levam Ricardo Martins Pereira a anunciar a candidatura à presidência do Benfica, depois de Bruno Carvalho já o ter feito

12 razões pelas quais eu sou candidato a candidato à Presidência do Benfica

O ataque ocorrido ao autocarro da equipa de futebol, mas sobretudo às residências particulares onde vivem jogadores e o treinador do Benfica foram, para mim, o ponto sem retorno que me fez decidir-me por uma candidatura à Presidência do Sport Lisboa e Benfica.

Não me candidato por nenhuma outra razão que não seja a de tentar devolver ao Benfica a dignidade desportiva e institucional que um clube de topo mundial deve ter. Os grandes clubes e as grandes instituições não valem apenas aquilo que os museus de troféus dizem que elas valem. Os grandes clubes e as grandes instituições devem ser, acima de tudo, motores de desenvolvimento de uma sociedade mais justa, equilibrada, séria, honesta. Ao Sport Lisboa e Benfica têm sobrado títulos desportivos, que eu, como adepto e sócio, muito agradeço mas tem faltado a seriedade, credibilidade e honestidade fora do campo, o que a mim, como adepto e sócio, muito me envergonha e entristece.

É sobretudo isto, embora não só isto, que me move neste momento e que me faz tomar a decisão de avançar para uma candidatura à Presidência do meu clube. Mas há mais.

Um candidato à Presidência de um clube não tem de ser alguém que se opõe a tudo o que a atual direção do clube tem feito. Seria absurdo que assim fosse. Muito do trabalho do nosso atual Presidente, Luís Filipe Vieira, e da sua equipa, tem sido bem feito e tem trazido excelentes resultados desportivos e também financeiros ao Sport Lisboa e Benfica.

Mas as vitórias, os sucessos e as coisas bem feitas não nos podem cegar, não nos podem impedir de olhar para os muitos problemas que subsistem, crescem e para os quais não se vê, por parte da atual direção, um caminho, uma solução pensada. Pior. Esses problemas não são sequer trazidos a discussão, são escondidos, retirados da agenda, tratados apenas pelos sócios, adeptos e simpatizantes em conversas de café. Não pode, e sobretudo não deve ser assim. O Benfica tem de ser muito maior fora dos campos do que tem sido, sobretudo nos últimos anos. E ser maior fora do campo não significa mandar “nos bastidores” do futebol, significa ser a locomotiva da mudança para a credibilização do clube, mas também do futebol português, significa usar o seu peso desportivo, institucional e social para agir como elemento transformador da mentalidade desportiva em Portugal, que vive de guerras, ódios, rivalidades, guerrilhas comunicacionais em programas de televisão.

O Sport Lisboa e Benfica tem de ser muito maior do que isso.

Ponto por ponto, o que pretendo com a minha candidatura à Presidência do Sport Lisboa e Benfica é o seguinte.

Forçar, em período eleitoral, a discussão pública entre sócios, adeptos e simpatizantes sobre os reais problemas da instituição Sport Lisboa e Benfica, nomeadamente aqueles que afetam a credibilidade, honorabilidade, moralidade e grandeza do nosso clube. O nome do Sport Lisboa e Benfica não pode, regularmente, estar nas páginas dos jornais, nas discussões de televisão, por razões ligadas à Justiça e ao crime. É preciso mudar o rumo das coisas para que assim não seja e focar o trabalho de toda a direção do clube e administração da SAD num único objetivo: fazer do Benfica grande em todas as dimensões da palavra.

Contribuir para a elevação da discussão no clube e no futebol português, combatendo o populismo, o ambiente de guerrilha, de ódios, de violência. Apresentar um discurso e um perfil de candidato alternativo aos que até hoje têm chegado a eleições no nosso clube, um discurso positivo, pacificador, focado unicamente na dimensão nacional e internacional do Sport Lisboa e Benfica. O futebol português precisa de rostos novos, de pessoas novas, de ideias novas, de um discurso novo. O futebol português precisa de união, de solidariedade, de rivalidade cívica e não odiosa.Trazer a discussão da verdade desportiva para primeiro plano e liderar a transformação do futebol português, contribuindo com ideias para que se trabalhe, continuamente, em modelos mais justos, mais credíveis, mais sérios, e que, assim, se pacifiquem posições que hoje são extremadas entre clubes, federações, liga e árbitros.

Regulamentar, de vez, e de força séria, a relação entre o Sport Lisboa e Benfica e as suas claques. É fundamental acabar com a farsa em vigor do não reconhecimento dos No Name Boys, das No Name Girls ou dos Diabos Vermelhos. É imperativo reconhecer as nossas claques como oficiais, mas ao fazê-lo é obrigatório trazer os seus responsáveis à discussão sobre o verdadeiro papel das claques dentro e fora dos estádios de futebol. Um claque não é e não pode ser percecionada por todos como um bando de criminosos, que é aquilo que acontece nos dias de hoje. Eu teria muito medo e vergonha que um filho meu, nos dias de hoje, fizesse parte de uma claque de um clube de futebol. E como eu haverá muitos pais assim. É preciso mudar radicalmente este cenário, erradicar das claques (e do futebol) os reais criminosos, expulsá-los de sócios do Sport Lisboa e Benfica e levá-los à justiça. O futebol precisa das claques, o Benfica precisa das claques, mas as claques têm de ser outra coisa, e é fundamental iniciar essa transformação para que a nossa catedral se pinte a cada jogo em casa com as cores do nosso clube, é preciso que todos cantem o nosso hino, é preciso que todos possam puxar pela equipa com os nossos cânticos, e as claques são decisivas nisso. E é para isso que servem, só para isso.

É fundamental que o Sport Lisboa e Benfica lidere a transformação no futebol nacional e se junte à transformação no futebol mundial para que se acabe com o atual cenário de domínio por parte dos empresários dos jogadores, que comandam direções, lideram clubes, usam as instituições com o único objetivo de faturarem milhões à conta desses mesmos clubes. O Benfica não pode ser comandado por empresários, não pode estar dependente de empresários, e não pode permitir que sejam empresários a definir regras. Não adianta o discurso derrotista que diz que é assim em todo o lado e quem não se junta a esta realidade acaba por pagar um preço elevado. Os grandes, os maiores de todos, têm a obrigação de combater este cenário, de se unir para que a realidade mude. Só assim ela mudará.

É imperativo que o Benfica altere radicalmente a forma como se posiciona na comunicação social, como dá voz e cobertura a indivíduos que envergonham a instituição Sport Lisboa e Benfica e os sócios, adeptos e simpatizantes do nosso clube. O Benfica tem de ter uma postura elevada, centrada em si mesmo, assumindo as suas responsabilidades, sem procurar bodes expiatórios para os insucessos, e sem plantar comentadores e fazedores de opinião populistas e sem nível em programas de televisão, para que façam esse trabalho sujo. Por muito que haja quem ache que é assim que se ganham campeonatos e se constrói poder fora dos relvados, lutarei sempre para que o cenário mude, o discurso mude e o foco seja unicamente no desporto, na competição dentro dos relvados, dos pavilhões, das pistas.

O Benfica deve ser o principal promotor da união entre os clubes portugueses e trabalhar, em conjunto com todos eles, para o crescimento e a sustentabilidade de todas as instituições desportivas. O Benfica não deve fomentar ódios, guerrilhas, o Benfica deve procurar paz, entendimento, seriedade. O Benfica ganha se todos os clubes forem mais sólidos, mais competitivos, se o futebol português for mais qualificado, mais bem visto internacionalmente. Só com um campeonato mais competitivo será possível ao Benfica chegar a um nível internacional que lhe permita voltar a conquistar grandes títulos europeus e mundiais. E cabe ao Benfica liderar essa mudança no panorama nacional.

Embora seja inegável o trabalho de qualidade feito pela atual direção na transformação de toda a cadeia de formação do Sport Lisboa e Benfica, é imperativo que esse trabalho seja melhorado, continuado, e que se explorem caminhos alternativos, que permitam que os jogadores formados no Benfica não sejam, como até aqui, mercadoria para ser vendida. É preciso criar condições para que os jogadores formados no Benfica tenham oportunidades, caminho e condições para continuarem a crescer dentro do nosso clube, que passem a sua mística aos mais novos e vivam o Benfica de águia ao peito durante os seus anos de séniores.

É um dos meus objetivos criar condições para que no médio prazo o Benfica possa reconquistar o seu prestígio internacional de forma continuada, para que, na Europa, seja visto como já o foi, com um clube temível, forte, competitivo, e que não caia, como tem acontecido com demasiada regularidade, aos pés de clubes medianos em fases muito distantes da final.

O Sport Lisboa e Benfica deverá reforçar a sua componente eclética e afirmar-se, sempre, como um clube ganhador em todas as modalidades desportivas em que compete. As modalidades extra futebol não são, não podem ser, olhadas com desdém, porque a águia que um jogador de andebol, hóquei, vólei ou basquetebol usa ao peito é a mesma águia que um jogador de futebol enverga. Benfica, somos todos.

Por fim, é fundamental que se construa um modelo desportivo para o futebol profissional que seja coerente, continuado, e que todos os sócios, adeptos e simpatizantes entendam. É fundamental definir objetivos claros, realistas, que passarão sempre pela conquista imediata de todos os títulos a nível nacional, para que, numa segunda fase, se possa começar a pensar então no renascimento do Benfica europeu.

Mais do que ganhar eleições é, para mim, fundamental que se leve a discussão todos estes temas, que se ponha cada um destes pontos em cima da mesa, para que se debata tudo isto de forma democrática, como sempre foi a cultura do Sport Lisboa e Benfica.

É pelo amor ao Benfica que assumo, hoje, a minha vontade de liderar esta discussão e de a levar a uma campanha eleitoral.

Pelo Benfica, sempre.

Ricardo Martins Pereira