As últimas 48 horas no futebol europeu ficaram marcadas pela polémica no jogo entre o Benfica e o Real Madrid, envolvendo Vinícius Jr. e Prestianni
Questionado sobre o tema, Liam Rosenior, treinador do Chelsea, mostrou-se visivelmente incomodado, mas recusou comentar diretamente o caso enquanto decorre a investigação.
«É perturbador. É perturbador», começou por dizer o técnico inglês.
«Há sempre um contexto que precisa de ser tido em conta. O que posso dizer é que qualquer forma de racismo na sociedade, quanto mais no futebol, é inaceitável. É inaceitável», referiu.
Apesar do comentário inicial, Rosenior não quis falar muito mais pois está a decorrer uma investigação. Ainda assim, deixou uma reflexão pessoal quanto ao caso.
«Quando vemos um jogador tão perturbado como o Vinícius estava, normalmente há uma razão. Eu próprio já fui alvo de abuso racial. Sei o que isso é. Quando somos julgados por algo de que deveríamos orgulhar-nos, é a pior sensação possível», afirmou o técnico.
Rosenior recordou que o racismo tem raízes históricas profundas e defendeu tolerância zero no futebol.
«Se algum jogador, treinador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deve estar no jogo. Não deve estar no futebol. Para mim é simples», atirou.
Instado a comentar as declarações de José Mourinho que criticou a forma como o internacional brasileiro festejou na Luz, Rosenior voltou a refugiar-se na prudência.
«Não vejo isto como treinador contra treinador», afirmou.
«Independentemente da forma como um jogador celebra, a raça nunca deve entrar na equação. [...] Não vou fazer julgamentos sem conhecer os factos. É difícil para mim emitir uma opinião sem ter toda a informação», acrescentou.
Por fim, para o técnico do Chelsea, a responsabilidade deve ser mais exigente nestes casos.
«As pessoas precisam de ser muito mais responsabilizadas, seja nas redes sociais ou na imprensa, para garantir que estas situações são erradicadas. Todos devem ser julgados de forma igual, pelo conteúdo do seu carácter», concluiu.