O selecionador do Brasil, Carlo Ancelotti, justificou a convocatória de Neymar para o Mundial 2026 com a experiência do atleta e referiu que «melhorou a sua condição física» no passado mais recente, deixando claro, no entanto, que o extremo do Santos «tem o mesmo papel e obrigação» do que os restantes 25 atletas.
«Fizemos a avaliação do Neymar todo o ano e vimos que neste último período jogou com continuidade e melhorou a sua condição física. Achamos que ele é um jogador importante e vai ser um jogador importante neste Mundial. Tem a possibilidade de jogar, de não jogar, de estar no banco e entrar. É um jogador experiente e em algumas posições, como nos guarda-redes, privilegiámos um pouco mais a experiência a este nível. Por isso chamámos o Weverton. São jogadores experientes que não precisamos de testar, sabemos o seu valor e estão habituados. Sinto muito por outros que não estão aqui, como Bento, o Hugo Souza, fico um pouco triste com isso, mas eles, como outros jovens como o Andrey Santos e o João Pedro, terão oportunidade e estão no projeto do próximo Mundial», começou por responder Ancelotti, sobre os motivos de convocar Neymar, que não tinha ainda sido convocado por si e que não representa a seleção desde outubro de 2023.
Ancelotti quis ainda ser «claro, limpo e honesto» sobre a possível utilização de Neymar. «Ele vai jogar, se merecer jogar. Eu tenho uma ideia do que pode ser a equipa titular neste momento, mas depois tenho de ver como treinamos, se o jogador tem boa condição física e mental. É importante não fixar toda a expectativa sobre um jogador, é uma responsabilidade como equipa e cada um tem de colocar as próprias qualidades só para uma coisa: ajudar a seleção a ganhar o Mundial», disse.
O Brasil tem nesta a convocatória com mais atletas a atuar no país desde a última conquista no Mundial (2002) e Ancelotti foi questionado sobre as diferenças de atletas que jogam no Brasil e o peso de jogarem no futebol europeu (normalmente em maioria nas convocatórias brasileiras), para falar sobre a ausência do goleador João Pedro. Ancelotti justificou-se.
«Eu entendo que se diz que o futebol europeu é diferente e tem mais intensidade, mas eu tenho de considerar outras coisas. Jogar futebol aqui é complicado, há um calendário exigente, com muitas viagens, calor e é difícil comparar. Depois, há as características individuais dos jogadores. Obviamente, ficamos tristes pelo João Pedro, pela época que fez na Europa provavelmente merecia estar na lista, mas infelizmente, com toda a consciência e respeito possível, com toda a competência possível, escolhemos outros jogadores. Lamentamos muito pelo João Pedro, assim como pelos outros», sublinhou.
Neymar foi o tema dominante na conferência de imprensa após o anúncio da convocatória e Ancelotti admite que projeta que Neymar jogue «como atacante mais centralizado». «Escolhemos o Neymar porque pensamos que pode ajudar a equipa com as suas qualidades, jogue um, cinco ou 90 minutos, não jogue ou entre só para penáltis. Escolhemos estes jogadores porque estou certo de que vão ajudar a equipa», referiu Ancelotti, que também respondeu sobre a defesa que vários ilustres antigos e atuais internacionais (de Ronaldinho a Vinícius Jr, passando por Kaká ou Cafú) fizeram ao serem a favor da chamada de Neymar e sobre como o próprio Ancelotti acha que pode ser importante.
«Eu acho que o futebol não é uma ciência exata, cada um tem a sua opinião. Todos podem pensar de diferentes formas e, no final, neste caso, sou eu que tenho de tomar a decisão e ninguém pode dizer, hoje, que o treinador se equivocou. É esperar pelo final de julho e alguém, por certo, me dirá: acertou ou errou.»