Carlos Vinícius, antigo jogador de Benfica, Rio Ave e Real Massamá, recordou os tempos que passou sob a liderança de Jorge Jesus, nas águias, e de José Mourinho, no Tottenham, tendo ainda deixado uma garantia quanto a Marco Silva, que o orientou no Fulham: «Está preparado para subir o nível na Premier League.»

Em entrevista ao Globoesporte, o avançado brasileiro, hoje com 31 anos, lembrou a chegada ao Benfica, em 2019, era Jesus o treinador.

«No primeiro treino, um jogador tocou (a bola) para mim, eu devolvi de primeira e ele parou o treino. E eu: “Ele já vai rasgar comigo”. Quando ele para o treino, gosta que toda gente olhe. E ele diz: "Sabes no que tu és bom? És muito bom num toque, um primeiro toque, um toque e passa. A bola nos teus pés parece um coco.»

«O Jorge Jesus foi um treinador de ensino. Não é fácil estar com o “velhinho”, mas muitos jogadores vão dizer: realmente, ele é um professor. Só que a tua cabeça fica daquele jeito com ele», acrescenta Vinícius.

Sobre José Mourinho, que o orientou no Tottenham, a conversa é outra. «Vamos para o jogo e ele diz: "Vai acontecer isto, isto e isto para o positivo, e isto e isto para o negativo.” Já ficamos a saber o jogo. De todos, ele é o que mais respeito. Não só pelos títulos, mas pela pessoa, pela forma como lidera, pelo jeito de ser. Para mim, Mourinho é o maior de todos», salienta.

Para Vinícius, «a escola portuguesa é uma das melhores na formação de treinadores», sendo que «Mourinho revolucionou muito» e «as pessoas querem ser como ele».

«No Brasil toda criança quer ser futebolista. Porquê? Porque o nosso passado foi de grandes craques. Já em Portugal formam-se muitos treinadores. Em Portugal, por exemplo, a conversa dos jogadores no balneário já é ser treinador», nota.

Como referências na carreira, Vinícius aponta o inglês Harry Kane, mas também o seu antigo companheiro de equipa no Benfica, Pizzi. «É um jogador que a nível mundial não tem tanto nome, mas fizemos uma grande dupla. Aquilo que vivemos foi um certo privilégio», lembrou.

Quanto aos defesas que mais o marcaram, elenca, entre outros, o ex-FC Porto Thiago Silva: «Com o conhecimento que ele tem do jogo, se quiser, pode jogar até os 55 ou 60 anos, porque ele prevê as coisas.»

Carlos Vinícius, que hoje é orientado pelo português Luís Castro no Grémio, contou ainda que, na formação, foi médio e defesa no Santos e no Palmeiras. «Via até vídeos do Kompany a jogar como defesa no (Manchester) City para perceber como se posicionava em campo», disse.

Essa experiência originou um episódio curioso com Lucas Veríssimo, quando o reencontrou no Benfica.

«Fiz dupla de centrais com o Lucas Veríssimo no Santos. Quando ele foi para o Benfica, dizia: "Mano, com todo respeito, eu não consigo acreditar que o meu homem-golo é você”. E eu já tinha sido artilheiro do Benfica. Ele dizia: "Eu sei que fazes golo, eu sei que vais fazer golo, mas quando eu olho para ti…". Éramos nós dois na defesa do Santos alguns anos antes. São coisas que o futebol proporciona», rematou Vinícius.