Os adeptos do Celtic vão continuar a demonstrar o seu descontentamento para com a direção do clube com um protesto de entrada tardia no jogo deste domingo, frente ao Kilmarnock.

Esta ação faz parte de uma campanha contínua liderada por vários grupos de adeptos que exigem mudanças significativas na gestão do clube.

O clima de insatisfação agravou-se após a ausência de contratações de peso durante o último mercado de transferências e a qualificação falhada para a fase de liga da Liga dos Campeões. O atual campeão escocês caiu no play-off de acesso à fase de liga, após sair derrotado nas grandes penalidades frente ao Kairat Almaty, do Cazaquistão, que vai fazer a sua estreia na competição. 

Os adeptos queixam-se da falta de soluções para substituir jogadores como Nicolas Kuhn, Adam Idah e Kyogo Furuhashi. Reforços como Sebastian Tounekti, Michel-Ange Balikwisha e Kelechi Iheanacho foram apresentados no final do mercado, já após a eliminação na fase de qualificação da Champions.

No passado sábado, o clube publicou um extenso comunicado, no qual revelou ter estado reunido com representantes do Celtic Supporters’ Association, o Affiliation of Registered Celtic Supporters’ Clubs e a Association of Irish Celtic Supporters’ Clubs. O emblema escocês afirmou «levar as opiniões dos adeptos muito a sério e compreender a insatisfação», mas justifica a estratégia de contratações com o argumento de que «gastar dinheiro de forma irresponsável não é uma via sustentável para o sucesso».

O ex-jogador Michael Stewart, em declarações à Sportsound, descreveu a resposta do Celtic como «um desastre de relações públicas», acusando a direção do clube de não perceber o ambiente à sua volta. Para Stewart, teria sido preferível permanecer em silêncio.

Também James McFadden, ex-internacional escocês, criticou a gestão do mercado de transferências, sublinhando que o problema não está na capacidade financeira, mas no timing das contratações.

«Os reforços deviam ter chegado antes dos jogos de apuramento para a Liga dos Campeões», apontou, acrescentando que, apesar do modelo do Celtic ter «sido incrível» durante anos, as duas últimas janelas de transferências não estiveram à altura.

O comunicado teve o efeito contrário ao pretendido e o desagrado dos adeptos intensificou-se, o que levou a uma reunião na noite de quarta-feira com 260 representantes de fãs do clube, que simbolizavam «dezenas de milhares de adeptos do Celtic». Em cima da mesa está o desenvolvimento de um plano de ação que inclui a construção de uma «campanha estratégica e de escalada contra a atual liderança do clube». É pretendida a destituição do diretor executivo Michael Nicholson, do diretor financeiro Chris McKay e do presidente Peter Lawwell.

Apesar das contestações, o Celtic, de Jota, lidera a Liga escocesa com dez pontos, à entrada para a quinta jornada. O jogo diante do Kilmarnock está agendado para este domingo, às 15h00.