Sérgio Marchi, presidente da FIFPro, principal sindicato de jogadores a nível mundial, escreveu uma carta na qual manifesta grande preocupação com o trabalho desempenhado pela FIFA e o presidente Gianni Infantino. Marchi alerta que, com o fim de mais um ano à vista, o futebol mundial continua sem mudanças significativas, persistindo problemas que há muito foram identificados.

«Ouvimos promessas e anúncios que pareciam indicar uma nova fase, mas nada mudou», escreveu o dirigente.

Marchi sublinha que, apesar das discussões sobre a necessidade de reformar os calendários para proteger a saúde e o descanso dos jogadores, o que se verifica é exatamente o contrário: calendários cada vez mais exigentes, com jogos quase diários, viagens desgastantes e pausas insuficientes para a recuperação.

«Os jogadores continuam a ser tratados como recursos ilimitados, e não como pessoas. Quem joga muito arrisca a sua saúde física e mental, e quem joga pouco enfrenta falta de oportunidades», acrescentou

O presidente da FIFPro chama ainda a atenção para questões como os salários baixos e os incumprimentos contratuais, problemas reiteradamente denunciados pelo sindicato.

No mesmo documento, Marchi menciona a recente reunião da FIFA em Marrocos, organizada para discutir os problemas relacionados com o calendário. Segundo o líder do sindicato, a organização apresentou uma postura pouco aberta ao diálogo, continuando a privilegiar os lucros em detrimento do bem-estar dos atletas.

«Vimos isso no último Mundial de Clubes nos EUA, um torneio desenhado para maximizar receitas, independentemente do sofrimento dos jogadores e dos espectadores. A FIFA continua a excluir e a discriminar, em vez de criar espaços de participação», apontou.

Marchi acusa ainda a FIFA de adotar práticas discriminatórias, afirmando que a organização tende a ignorar sistematicamente os representantes do sindicato.

«Vimos claramente na convocatória feita em Marrocos que decidiram quem ouvir e quem silenciar. Esta prática não é casual, é discriminação estrutural e profundamente antidemocrática. E o mais grave é que, ao discriminar os sindicatos, estão também a discriminar os jogadores que estes representam.»

O presidente da FIFPro conclui a carta reforçando a necessidade de um futebol mais equilibrado, humano e atento aos direitos dos jogadores.