Um dos treinadores da moda em Portugal é alvo de destaque na Grã-Bretanha. A servir o Estoril pela segunda temporada, o escocês deu uma entrevista à BBC em que falou não só sobre o projeto, como também do seu trajeto enquanto treinador.
Com a visita ao Sporting em perspetiva, nesta sexta-feira, Cathro justifica que os elogios que tem recebido não o têm desviado do foco no Estoril.
«Não estou aqui para tentar ganhar cinco jogos seguidos só para dar o salto. Olho para este projeto e sinto genuinamente que a minha responsabilidade é ajudar o clube a dar um passo para outro nível. E esse outro nível é mais estabilidade, para que ninguém, absolutamente ninguém, tenha mais medo», começou por dizer.
«Sei que tudo o que faço aqui terá muito menos visibilidade do que num clube na Escócia, se estivermos a falar do Reino Unido. Mas sabendo que tudo o que fazemos na vida é importante, é verdade que passei sete meses como treinador principal do Hearts e o que aconteceu, aconteceu. Se formos entrar em detalhes sobre isso, precisaríamos de mais duas ou três horas, e não vale a pena», atira.
Cathro teve uma breve aventura como treinador principal no Hearts, entre 2016 e 2017, num interregno enquanto adjunto de Nuno Espírito Santo. Esteve ao lado do português durante nove anos.
«E considero este trabalho no Estoril como o meu primeiro. Porque aqui tive condições de trabalho normais, e é por isso que me refiro ao Estoril como a minha primeira equipa. Quero ser uma figura positiva na história do clube, alguém que ajudou. Não estou aqui para fazer milagres, mas para trazer mais estabilidade», completa.
«Sinto-me mil vezes mais português do que escocês»
Noutra parte da entrevista, Ian Cathro falou sobre a adaptação a Portugal, a língua portuguesa e os elogios que tem merecido no nosso país.
«Isso é algo que me deixa muito orgulhoso. Já disse várias vezes que a minha vida mudou completamente quando fui para o Rio Ave. Aprendi e tornei-me um homem nesse contexto português. Tenho a certeza absoluta de que, em termos futebolísticos, sinto-me mil vezes mais português do que escocês», admite o técnico de 39 anos.
«O que mais gosto é o facto de o tempo passar um pouco mais devagar aqui. Vivo aqui com a minha família num ritmo completamente diferente do que vivia na Escócia, por exemplo. Conseguimos criar mais memórias e momentos mais significativos como família», remata.
O Estoril é sétimo classificado na tabela da Liga portuguesa, com 33 pontos, sendo a quarta equipa com mais golos marcados. Porém, é a sexta com mais golos sofridos.