Sem por certo o imaginar, a UEFA começou a escrever a história do vencedor da edição 2025/2026 da Liga Conferência ainda antes de a prova sequer ter começado, quando obrigou o Crystal Palace a disputá-la por, há um ano, ter o mesmo dono do Lyon. E o herói da final com o Rayo Vallecano [1-0] nem sequer deveria estar por esta altura nos Eagles, só que os desígnios da bola também se mostram de maneiras misteriosas. Quem não gosta de uma boa história?
Convenhamos, antes de mais, que a Liga Conferência foi criada para finais como a deste ano, em Leipzig. Mais do que um Lord da City londrina de sangue azul, a exibir a sua riqueza numa espécie de tour de consagração, a Conference existe para finais inéditas, entre clubes improváveis, que fazem dela um dos momentos da sua vida.
Está bem que o Crystal Palace tem uma Taça e uma Supertaça de Inglaterra no palmarés, ambas ganhas no ano passado, mas a primeira final europeia da história nunca se esquece. E o mesmo se aplica ao Rayo Vallecano, um Matagigantes vindo de Madrid, que tal como o seu adversário chegou a uma final à segunda participação em provas da UEFA.
Duelo inédito, vislumbre de glória, expetativas nos píncaros, mas durante a primeira parte viu-se pouca coisa digna de registo. Isto de se poder fazer história também tem um lado inibidor, em que o receio se sobrepõe à coragem.
Os dois melhores ataques da Liga Conferência criaram pouco, muito pouco até, ainda que os espanhóis tivessem exibido outro arrojo com bola.
Com Isi Palazón dinâmico entre linhas, os madrilenos ameaçaram por Alemão, com um desvio subtil no coração da área inglesa [25m], e Unai López, com um remate colocado que fez a bola passar perto da baliza adversária [40m].
Ainda assim, a melhor ocasião de toda a primeira parte surgiu apenas no período de compensação, desperdiçada por Mitchell. Descoberto por Wharton na pequena área espanhola, o lateral-esquerdo cabeceou ao lado.
Foi uma espécie de aviso para o que aconteceu no início da segunda parte, momento que o Crystal Palace aproveitou para resolver a questão.
E tudo começou com um golo de Mateta, avançado que só não se mudou para o Milan em janeiro porque chumbou nos exames médicos. Foram-se os milhões para o Palace [seriam mais 30], ficou um troféu histórico. Entre o deve e o haver, acho que estamos conversados.
Mateta estava no sítio certo 😎#sporttvportugal #CONFERENCEnaSPORTTV #UEFAConferenceLeague #CrystalPalace #RayoVallecano #ConfiaBetano #betanouecl pic.twitter.com/mTEZbLmq7P
— sport tv (@sporttvportugal) May 27, 2026
Logo a seguir, Yeremy Pino acertou nos dois postes da baliza espanhola na execução de um livre que só não foi perfeita porque pecou por excesso na pontaria. E Mateta não bisou pouco depois porque Batalla se agigantou na baliza do Rayo para lhe negar o bis.
A tudo isto o Rayo Vallecano assistiu com alguma impotência. E impaciência do seu treinador, Iñigo Pérez, que não demorou a mexer e com isso renovou a alma da equipa. Só que faltou-lhe sempre aquele instinto dos grandes, como quando Álvaro García fugiu pela esquerda, mas não foi capaz de assistir Alemão para uma finalização limpa [68m].
Os esforços do Rayo em mudar o rumo da final revelaram-se infrutíferos, para júbilo dos londrinos, que enriquecem a vitrina de troféus com um exemplar inédito na sua história.
Contas feitas, o Crystal Palace foi a terceira equipa inglesa a vencer a Liga Conferência, em cinco edições. Neste momento, o Chelsea é campeão do mundo de clubes, o Aston Villa venceu a Liga Europa e o Palace ganhou a Liga Conferência. E ainda há o Arsenal na final da Champions com o PSG. Já se pode falar em hegemonia?