Lilian Thuram ficou muito desagradado com a reação de José Mourinho ao alegado insulto racista dirigido por Gianluca Prestianni a Vinicius Júnior, na passada terça-feira, no Benfica-Real Madrid.
O técnico dos encarnados, após o jogo da primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, criticou a forma como o internacional brasileiro festejou na Luz e não quis tomar partido, depois de ter ouvido as versões dos dois jogadores.
«A natureza das palavras dele diz muito sobre porque é que não avançamos. O Mourinho é um grande treinador, com uma carreira excecional, trabalhou com muitos jogadores negros ao longo da vida e isso não o impede, primeiro, de duvidar da veracidade do ato racista e, segundo, de questionar a responsabilidade da vítima pela forma como celebrou o seu golo. Como é que ele pode dizer isso? Mas quem é você, senhor Mourinho, para decidir o que Vinicius pode ou não fazer? Ele tem, nesse julgamento, um sentimento de superioridade e narcisismo branco. O ato de racismo do qual Vinicius foi vítima não está relacionado com o seu comportamento, mas com a cor da sua pele. Acham que crianças vítimas de atos racistas na escola ou no futebol são vítimas por causa do próprio comportamento? Não», disse o antigo defesa, que é uma voz ativa na luta contra o racismo, em declarações ao L'Equipe.
«Mourinho sugere que pode ser culpa de Vinicius. Em resumo, que ele procurou isto. É violência total. Esse sentimento de superioridade que algumas pessoas brancas têm impede-as de se colocarem no lugar das vítimas. Eles precisam de mais humildade. E como não levar em consideração o que os jogadores dizem? Ok, o Vinicius é louco, inventou um insulto e correu na direção do árbitro? O Mbappé ouviu e é louco também? Os negros são loucos, não são? Eles são paranoicos e inventam histórias... Quando Mourinho quer que acreditemos que Vinicius é responsável pelo racismo que sofre, é patético. Essa análise é de uma pessoa pequena, um homenzinho. Enquanto houver comportamentos assim, não estaremos todos juntos na luta. E essa também é a história do racismo. Mourinho não analisa o ato racista como homem, mas como homem branco. Não precisas de pensar pela cor da tua pele», concluiu.