Fábio Paim, 27 anos, deu entrevista na Lituânia na qual recordou erros cometidos no passado, falando também da ligação a Cristiano Ronaldo.

«Sempre fui muito ativo, um pouco rebelde, também por causa do sítio onde cresci,um local onde os miúdos andam muito tempo na rua, muito libertos. Em Portugal isso é normal, os pais vão trabalhar e os miúdos ficam na rua», começou por referir o extremo português. «Com o meu primeiro ordenado, comprei um carro, o carro que eu gostava mais de ver. Não comprei um chupa, não comprei bonecos, comprei um carro e comecei a conduzir sem ter carta de condução», acrescentou.

CR7 e Jorge Mendes

Amigo de Cristiano Ronaldo, Fábio chegou a ser elogiado por CR7 quando o melhor do Mundo FIFA estava em Manchester («acham que eu sou craque? Esperem pelo Paim!»): «Éramos os dois agenciados pelo Jorge Mendes e ele disse isso. Não fui apanhado de surpresa, convivi com ele, como convivi com outros colegas. Hoje ele é o melhor do mundo e eu sou um jogador normal, não sou nem metade dele. É a diferença de uma pessoa ser séria, humilde, trabalhar sempre no máximo, fazer sempre as coisas bem. Mandavam-lhe fazer dez e ele fazia vinte ou trinta. Merece estar onde está. É bom ver que foi recompensado.»

Paim falou também da relação com Jorge Mendes, admitindo que não soube aproveitar devidamente a ligação ao maior empresário do Mundo: «Fomos passar férias juntos ao Rio de Janeiro, mas ele agora ele está na vida dele e eu na minha, aqui na Lituânia a lutar para ajudar a minha família. Tínhamos uma relação de mais que jogador e empresário, tínhamos uma relação muito boa. Mas como é normal, eu estava com a cabeça virada, e ele ajudou-me tanto, tanto, avisou-me várias vezes, foi sempre bom comigo e coma minha família, mas quando uma pessoa não quer ser ajudada, cada um segue o seu caminho. Ele não precisava de mim para nada. Só tenho que agradecer tudo o que fez por mim. O erro foi meu.»

«Cometi muitos, muitos erros»

«Cometi muitos, muitos erros. Se pessoas com mais experiência de vida cometem, por que é que eu, mais novo, não poderia cometer. Os meus pais sempre me deram tudo, mas não conseguiam dar o que a Academia me dava. Quando assinei o meu primeiro contrato saí da Academia e fui para casa. Esse foi um dos meus maiores erros», admitiu Paim, para depois reforçar: «Perdi o controlo sobre mim e deixei de lado o que sabia fazer. Sempre joguei bem e nunca precisei de trabalhar tanto como os outros. Depois cometi muitos erros, saídas, mulheres, excessos. Já paguei o que tinha a pagar, e foi muito, não foi bom para mim ou para a minha família. Mas tenho 26 anos, sei que não vou chegar a um nível alto, não vou chegar à seleção, mas estou aqui para lutar e fazer o que gosto.»