O diretor desportivo do Lille, Luís Campos, explicou esta quarta-feira que uma das grandes soluções encontradas, quer no atual clube, quer no Mónaco, para ultrapassar as exigências do fair-play financeiro da UEFA, foi o «excelente trabalho de scouting» necessário, com o objetivo de criar mais-valias internas em jogadores, para gerar receitas que ajudariam, depois, a melhorar as condições de trabalho nos clubes.

«A UEFA não deixava o presidente Rybolovlev continuar a colocar 100 ou 150 milhões de compras no clube. Recordo-me no dia 18 de agosto [de 2014], estava com o Leonardo Jardim, tinha-o escolhido para ser o meu treinador nesse projeto. Tivemos uma reunião em que foi dito que não podíamos investir mais um euro na equipa e estávamos à espera de jogadores. A solução encontrada foi, à partida pode considerar-se fácil, mas baseada muito num excelente trabalho de scouting. Tínhamos de comprar barato e vender caro», afirmou, sobre o processo no Mónaco, esta quarta-feira, no World Scouting Congress, na cidade do Porto.

Campos notou que com as «vendas» posteriores de jogadores, o dinheiro encaixado iria «ajudar o clube a crescer noutros setores». «Confesso, não me importei com a parte dos direitos de televisão, preocupei-me mais com a compra e venda de jogadores e, dessa forma, encontrar uma base económica que permitisse fazer crescer o clube e tudo à volta: fazer obras no complexo do Mónaco, ter um departamento médico de alta performance, uma equipa técnica de grande qualidade», detalhou.

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Para isso, diz Luís Campos, foi fundamental «aumentar três tipos de velocidade» para o jogador tornar-se «uma mais valia»: a da «adaptação do jogador», a da «maturação» e a da «oportunidade» de fazer o jogador jogar. A linha de pensamento seguida no Mónaco, ajudou a adaptar no Lille.

«Se o jogador for talentoso e atingir níveis de maturidade altos, vai fazer rapidamente com que tenhamos jogadores jovens preparados para vender aos mercados mais caros para melhorarmos as condições internas. Recordo-me que o Lille tinha algumas centenas de milhões de dívidas e este ano reduzimos o passivo em mais de metade. O Mónaco não conseguia continuar com a política do fair-play financeiro e, em três anos, fez 989 milhões de euros de vendas, 700 milhões deles de mais valias. Penso que é possível conciliar bons resultados desportivos com bons resultados económicos», defendeu.

Luís Campos esteve no Mónaco entre 2013 e 2016 e chegou ao Lille em fevereiro de 2017.